Juan MABROMATA / AFP
Juan MABROMATA / AFP

Polícia argentina faz buscas em duas propriedades da ex-presidente Cristina Kirchner

Operações dependiam de autorização do Senado para serem realizadas; um dos locais foi apontado como depósito para malas com dinheiro de propina

O Estado de S.Paulo

23 Agosto 2018 | 15h09

BUENOS AIRES - A polícia federal  fez uma busca ontem em duas residências da ex-presidente argentina Cristina Kirchner (2007-2015) nesta quinta-feira, 23, um dia após o Senado autorizar a revista de três casas da senadora.  Ela é acusada de liderar uma rede de corrupção composta por ex-funcionários e empresários que teriam pagado suborno para obter contratos de obras públicas.

O apartamento de Cristina em Buenos Aires  foi revistado por pelo menos uma dúzia de agentes federais e da polícia científica, assim como a casa de Río Gallegos. A revista foi solicitada pelo juiz Claudio Bonadio, já que a ex-presidente, eleita senadora em 2017, tem foro privilegiado e não pode ser detida, embora possa ser acusada e condenada.

Vários cães policiais também participaram da operação.

A propriedade em Buenos Aires fica em um antigo prédio em Recoleta, bairro elegante da capital. Vários cães farejadores também participaram da operação. A residência em El Calafate também seria alvo de buscas.

Embora os críticos de Cristina tenham afirmado que a incursão nas residências serão inúteis neste momento, alguns senadores disseram que será possível identificar visualmente os locais onde as sacolas com dinheiro teriam sido guardadas.

A ação judicial começou há um mês com base em anotações feitas por um ex-motorista do Ministério de Planejamento, Oscar Centeno, que supostamente fez percursos por Buenos Aires, entre 2005 e 2015, levando e trazendo sacolas carregadas de milhões de dólares em subornos.

Segundo as anotações feitas em oito cadernos pelo ex-motorista, os subornos teriam chegado a US$ 160 milhões. O apartamento de Kirchner em Buenos Aires, assim como a casa presidencial de Olivos e a Casa Rosada, sede do governo, aparecem nesses cadernos como pontos de entrega das sacolas durante o governo de Néstor Kirchner (2003-2007), que morreu em 27 de outubro de 2010, e o de Cristina.

A senadora negou ter cometido qualquer delito e acusou Bonadío de estar seguindo os interesses do atual presidente argentino, Mauricio Macri.  Esta é a maior trama de corrupção em décadas na Argentina e há ao menos 16 detidos, 13 que assinaram acordos de delação, 1 foragido e outros 13 investigados. 

A ex-presidente, da corrente de centro esquerda peronista, que sucedeu a seu marido no cargo, em 2007, é a pessoa de mais alto escalão envolvida no chamado escândalo dos “cadernos de propinas”, que investiga subornos de importantes empresários entre 2005 e 2015.anto nessa como em outras investigações que ele lidera. / AP e AFP

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