Polícia ataca mosteiros em Rangun; um morto e sete feridos

Segundo informações do partido de oposição, forças de segurança prenderam 200 monges durante madrugada

Efe,

27 de setembro de 2007 | 01h31

Pelo menos uma pessoa morreu e sete foram feridas a tiros na madrugada desta quinta-feira, 27, quando as forças de segurança atacaram dois mosteiros na cidade de Rangun, em Mianmá, e detiveram cerca de 200 monges, informaram fontes do partido de oposição da Liga Nacional para a Democracia (LND). O partido anunciou também que houve outras batidas em outros mosteiros do país. Também foi detido o porta-voz da LND, Mynt Thein, um dos homens de confiança de Aung San Suu Kyi, líder oposicionista e Prêmio Nobel da Paz. Suu Kyi, acusada pelas autoridades de incitar os protestos, foi levada na quarta-feira para a prisão de Insein, nos arredores de Rangun. No local estão presos muitos dos 1.100 presos políticos birmaneses. Desde 2003, a líder oposicionista estava em prisão domiciliar. No sábado, ela foi vista na entrada de sua casa, em Rangun, saudando uma das manifestações pacíficas dos monges. As manifestações ficaram violentas nesta quarta-feira, quando cinco pessoas, entre elas três monges, foram mortas a tiros ou por causa dos golpes que receberam das forças de segurança na cidade de Rangun, a maior do país. O protesto reuniu cerca de 100 mil pessoas, que exigiam a democratização de Mianmar. Num boletim oficial de quarta-feira à noite, o governo admitiu apenas que uma pessoa morreu e três foram feridas. Após os incidentes, um comunicado conjunto emitido pela Associação de Todos os Monges Budistas de Mianmar e pela Geração de Estudantes de 88 anunciou novas manifestações em Rangun e outras cidades do país. Nas principais cidades, está em vigor desde terça-feira o toque de recolher noturno. Além disso, assembléias e reuniões de mais de cinco pessoas estão proibidas. Em 1990, os militares ocuparam templos budistas na cidade de Mandalay e detiveram milhares de bonzos, que boicotavam as doações do Exército em resposta às tentativas do regime de controlar a religião.

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