Polícia atribui morte de menino a uma 'decisão trágica' do policial

Prefeito de Cleveland evitou comparar caso com a morte de Brown em Ferguson; criança de 12 anos estava com arma de brinquedo

O Estado de S. Paulo

25 de novembro de 2014 | 16h31

WASHINGTON - A morte do menino negro de 12 anos Tamir E. Rice em um parque na cidade de Cleveland, Ohio, no fim de semana, foi atribuída pela polícia local a uma "decisão trágica" do policial que deu dois tiros no menino após confundir a pistola de brinquedo dele com uma real.

"Os policiais, às vezes, se veem obrigados a tomar decisões críticas em um segundo. Tragicamente, essa foi uma dessas vezes", disse o chefe de polícia de Cleveland, Calvin D. Williams, ressaltando que o caso deve servir para conscientizar as pessoas do perigo das armas.

"As armas não são brinquedos e precisamos ensinar isso às nossas crianças, à nossa comunidade. As armas não são brinquedos e não devemos dá-las às crianças ingenuamente. Queremos que nossas crianças, avôs, tios, mães e pais entendam que somos parte desta comunidade. Eu tenho sobrinhos da idade do menino falecido. Estamos na rua para protegê-los", disse Williams.

O prefeito da cidade, Frank Jackson, evitou comparar a situação com o caso do jovem negro Michael Brown, que foi morto em Ferguson pelo policial branco Darren Wilson em agosto, na cidade de Ferguson, no Missouri. Nesta terça-feira, 25, um júri decidiu não indiciar Wilson.

O caso de Tamir entrou para os protestos desta terça contra a decisão do júri, que tomaram as ruas de Ferguson e outras cidades americanas. Em Cleveland, dezenas de manifestantes seguravam cartazes dizendo "mãos ao alto, não atire", slogan que se tornou popular desde o caso Brown.

O inspetor adjunto da polícia de Cleveland, Ed Tomba, explicou que uma câmera de vigilância gravou o momento em que os dois agentes abordaram o menino no sábado, após receberem a ligação de um morador dizendo que um jovem estava apontando uma arma aos pedestres.

"Tem um menino com uma pistola, provavelmente falsa, mas está apontando para todo o mundo e causando medo", disse o morador na ligação, divulgada pela emissora local WEWS.

De acordo com a polícia, os policiais chegaram ao parque e pediram para Tamir levantar as mãos. Ele não obedeceu e sacou a arma da cintura, o que fez com que um dos agentes disparasse duas vezes.

Os tiros atingiram o abdômen e peito do menino, que morreu na madrugada do domingo, no MetroHealth Medical Center.

Após o incidente, os agentes recuperaram a arma e comprovaram que se tratava de uma réplica de ar comprimido de uma pistola semiautomática.

O chefe de polícia explicou que o vídeo que gravou o incidente faz parte da investigação e o conteúdo já foi entregue ao advogado da família, Tim Kucharski, que descartou supostas conotações raciais no caso, mas pediu uma investigação, segundo a Fox. "Isso não é um assunto de brancos ou negros. Isso é um assunto entre o que está bem e o que está mal", enfatizou.

A investigação deve ser concluída em até 90 dias, segundo a polícia. A procuradoria decidirá quais acusações serão atribuídas aos dois policiais, que estão de licença administrativa. /AP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.