Polícia belga estima roubo de diamantes em ? 100 milhões

Autoridades belgas estabeleceram em ? 100 milhões o valor roubado em jóias, ouro e apólices no mês passado em Antuérpia, e informaram que o suposto mentor intelectual do crime, detido na semana passada, planejou a ação durante mais de dois anos.O roubo realizado no Centro de Diamantes de Antuérpia em 16 de fevereiro foi "genial por sua simplicidade", comentou Eric Sack, secretário de Justiça da capital mundial da lapidação de diamantes.Dois homens italianos, duas mulheres (uma italiana e outra holandesa) foram presos durante o fim de semana por suspeita de ligação com o crime, mas a polícia ainda procura pelos homens que teriam entrado no local, disse Sack.A polícia não recuperou nenhum dos cofres roubados do Centro de Diamantes. Dos 160 cofres do local, 123 foram levados durante o crime, batizado pelo imprensa como "o roubo do século".Os quatro suspeitos - definidos por Sack como o mentor italiano e seus três cúmplices - compareceram perante uma corte local nesta quinta-feira. A Justiça determinou que eles continuem detidos enquanto prosseguem as investigações."Está muito claro que aqueles que executaram o crime vieram da Itália. Nossa investigação agora centraliza-se neles", informou Sack. As autoridades não revelaram nenhuma informação sobre os suspeitos além da nacionalidade e do sexo.Apesar de a total extensão do crime ainda ser desconhecida, a polícia já o qualificou como o maior roubo da história do distrito dos diamantes.Informações fornecidas pelos donos da maioria dos 123 cofres roubados levaram as autoridades a calcularem o valor total do roubo em torno de ? 100 milhões.Há uma década, quando apenas cinco dos 160 cofres foram roubados, o crime foi estimado em ? 4,25 milhões.A Interpol informou não possuir nenhum registro sobre roubos por ordem de valor.Além das quantias envolvidas, as autoridades também ficaram supresas com a execução ?clínica? do plano.O Centro de Diamantes de Antuérpia situa-se no coração de um bairro extremamente policiado onde câmeras de vídeo registram possíveis movimentos suspeitos durante as 24 horas do dia.O prédio é cercado por câmeras de vídeo e são necessários passes especiais para ter acesso ao local. Seguranças também protegem a sala dos cofres em tempo integral.Mas isso não importou para os ladrões.O primeiro passo foi a aquisição de um escritório no prédio, há aproximadamente dois anos. "Eles também aprenderam como burlar o sistema de alarmes e copiaram as chaves mestras", prosseguiu Sack.No momento do crime, eles bloquearam o circuito de câmeras e acredita-se que tenham colocado fitas antigas no sistema, disseram policiais.Isso deu a eles tempo suficiente para abrir os cofres. Era tanta coisa para roubar que os ladrões não conseguiram - ou não tiveram tempo para - levar tudo. "O chão estava repleto de caixas de segurança, ouro, dinheiro, apólices e diamantes brutos e lapidados, entre outras jóias", relatou Sack.Após todo o cuidadoso planejamento, os mentores foram descobertos, segundo as autoridades, quando jogaram pacotes com materiais comprometedores numa fossa, às margens de uma estrada.A polícia recuperou os pacotes e obteve indícios para prender um dos suspeitos quando ele chegou a seu escritório no Centro de Diamantes. Os outros três foram presos num apartamento, onde mais evidências foram encontradas, disseram policiais.

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