REUTERS/Henry Nicholls
REUTERS/Henry Nicholls

Polícia britânica é criticada após reprimir ato por morte de mulher em Londres

Chefe da corporação é pressionada a renunciar; vigília ocorria após assassinato de Sarah Everard, que teria sido cometido por policial

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2021 | 19h46

LONDRES - Autoridades e políticos criticaram neste domingo, 14, uma ação policial no sábado contra manifestantes que participavam de uma vigília silenciosa pela morte de uma mulher por um agente das forças de segurança. Alguns pediram a renúncia da comissária da Polícia Metropolitana de Londres, Cressida Dick

A policia alegou que precisou dispersar a multidão por causa das restrições do governo para barrar a propagação da covid-19.

A secretária do Interior, Priti Patel, disse que as cenas da ação policial durante a vigília no sul de Londres eram “perturbadoras”. O prefeito da capital, Sadiq Khan, afirmou que a resposta da polícia “às vezes não é apropriada nem proporcional”. Ambos disseram que não estavam satisfeitos com o relato da corporação e pediram uma investigação independente.

Sarah Everard havia desaparecido há dez dias quando voltava para casa do apartamento de um amigo. Seu corpo foi encontrado na quarta-feira, 10, em Kent (sudoeste). Um agente da unidade de polícia de Londres encarregada da proteção de representações diplomáticas, Wayne Couzens, de 48 anos, foi indiciado na sexta-feira passada por sequestro e assassinato.

Neste domingo, 14, Cressida, que é a primeira mulher a chefiar a corporação, disse que não renunciaria e estava mais determinada do que nunca a liderar a organização. Ela afirmou ainda que a vigília de sábado foi uma reunião ilegal e os oficiais foram colocados em uma “posição muito difícil”. Cressida disse ainda que se solidarizava com a vítima e as mulheres que participaram do ato.

Em cenas mostradas pela TV e em vídeos postados em redes sociais, a polícia foi vista agredindo mulheres que se recusavam a deixar o protesto, em Clapham Common, um parque onde Sarah foi vista pela última vez. Em outra gravação, uma mulher é atirada ao chão depois de ser empurrada pelas costas por agentes. Outra foi vista sendo imobilizada por dois agentes que estavam sobre suas costas.

Manifestantes disseram que a reação à vigília ocorreu porque um policial é o principal suspeito do crime. Segundo a polícia, quatro pessoas foram presas sob acusação de “violar a ordem pública e os regulamentos de combate ao coronavírus”. 

O ato em que houve a confusão havia sido marcado, mas acabou suspenso por causa das restrições impostas pelo governo durante a pandemia. No entanto, muitas pessoas foram à manifestação mesmo assim. Jamie Klingler, que organizou o evento cancelado Reclaim These Streets, disse que a polícia “nega às mulheres o direito de ter uma vigília”. “Acho que ficamos chocados e muito tristes ao ver vídeos de como policiais lidam com mulheres em uma vigília sobre a violência contra as mulheres praticada por homens.”

Patsy Stevenson, a mulher que foi fotografada presa ao chão por dois policiais durante os confrontos, disse que estava considerando não pagar a multa de 200 libras (R$ 1.536) que recebeu. “Estávamos lá para lembrar de Sarah, todos nós nos sentimos profundamente tristes. Então eu trouxe uma vela, mas infelizmente não fui capaz de acendê-la porque a polícia apareceu e invadiu nossa vigília”, disse ela à rádio LBC.

O suspeito compareceu ao tribunal no sábado pela primeira vez. Ele foi detido sob custódia e tem outra audiência marcada para amanhã no Tribunal Criminal Central de Londres. A Polícia Metropolitana disse que é “profundamente perturbador” que um dos seus seja suspeito do caso. Ele entrou para a corporação em 2018. / AP e AFP

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