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Polícia britânica fala em crime ao ver material apreendido com Miranda

Conteúdo, se revelado, poderia colocar vidas em risco, disseram autoridades; Justiça limita acesso

O Estado de S. Paulo,

22 de agosto de 2013 | 16h14

(Atualizada às 18h15) LONDRES - A polícia de Londres informou nesta quinta-feira, 22, que o material apreendido com o companheiro brasileiro do jornalista que publicou as informações vazadas pelo ex-agente da CIA Edward Snowden - que trouxeram à luz um gigantesco esquema de espionagem liderado por Washington - é "altamente sensível" e, se revelado, pode colocar vidas em riscos.

David Miranda, que vive com o jornalista americano Glenn Greenwald no Rio, foi interrogado durante nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres, no domingo 18, quando o material - notebook e pen drives, principalmente - foi apreendido.

Segundo as autoridades, uma avaliação inicial das informações apreendidas com Miranda resultou na abertura de uma investigação criminal por parte de agentes de combate ao terrorismo.

O Tribunal Superior de Londres afirmou nesta quinta-feira que as autoridades britânicas poderão ter acesso limitado, e durante o prazo de uma semana, ao material que foi confiscado de Miranda. Os juízes deram a determinação em uma audiência preliminar.

Até que saia a decisão definitiva, na próxima sexta-feira, a polícia só poderá examinar a informação armazenada nos dispositivos eletrônicos de Miranda para "proteger a segurança nacional e averiguar se o brasileiro está envolvido em atividades terroristas".

Os advogados do brasileiro pediram ao tribunal que impedisse o governo e a polícia de "inspecionar, copiar ou compartilhar" o material que foi apreendido durante sua retenção no aeroporto. "A confidencialidade, uma vez perdida, nunca pode ser restaurada", argumentaram os advogados durante a audiência.

A defesa alegou, além disso, que as autoridades se excederam ao deter um passageiro que fazia escala no aeroporto e não entrado formalmente na Grã-Bretanha.

Representantes da polícia e do governo britânico afirmaram que Miranda poderia estar em posse de documentos secretos roubados. Os advogados de Miranda, de 28 anos, sustentam que o computador e os cartões de memória que foram confiscados contêm material e fontes jornalísticas que precisam ser protegidos.

O brasileiro viajava de Berlim ao Rio de Janeiro, onde vive com Greenwald, quando foi detido pela polícia durante nove horas, o tempo máximo que a lei antiterrorista britânica permite manter uma pessoa detida sem apresentar acusações.

As forças de segurança se ampararam em uma seção específica da lei que permite reter e interrogar "indivíduos que participem de atividades terroristas" e que "viajam para planejar, financiar, treinar ou cometer seus ataques".

Desde 5 de junho, Greenwald escreveu uma série de artigos no "The Guardian", nos quais descreve os programas de vigilância que a Agência Nacional de Segurança Americana (NSA) mantém na internet, a partir da informação passada por Snowden, atualmente asilado na Rússia.

Nesta semana, a ministra de Interior da Grã-Bretanha, Theresa May, assegurou que a decisão de deter Miranda foi exclusivamente da polícia, apesar de Theresa ter admitido que sabia que a retenção ocorreria./ EFE e REUTERS

 

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