REUTERS/Henry Nicholls
REUTERS/Henry Nicholls

Polícia britânica identifica 131 pessoas expostas à substância que envenenou ex-espião russo

Segundo as autoridades, até o momento ninguém apresenta sintomas do componente químico; organização sanitária insiste que 'risco para cidadãos é baixo'

O Estado de S.Paulo

16 Março 2018 | 15h35

LONDRES - A polícia e o serviço de saúde britânicos identificaram 131 pessoas que podem ter sido expostas ao agente neurotóxico que envenenou o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia na cidade de Salisbury, no sul da Inglaterra. Segundo as autoridades, até o momento ninguém apresentou sintomas de contaminação.

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"Nenhuma delas desenvolveu nenhum sintoma que indique que foram expostas ao agente", disse o inspetor-chefe adjunto do corpo policial de Wiltshire, Paul Mills, acrescentando que a natureza e a magnitude desta investigação "não têm precedentes". De acordo com ele, cada uma das 131 pessoas recebeu “ligações para assegurar o seu bem-estar”.

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De acordo com Mills, quase 500 soldados da polícia e cerca de 200 militares prosseguem com os trabalhos de investigação. Além disso, a polícia de Wiltshire confirmou nesta sexta-feira, 16, que 46 pessoas compareceram ao hospital da cidade com medo de terem sido contaminadas com o componente químico de tipo militar e fabricação russa Novichok. 

No dia 4, a substância química deixou em "estado crítico" o ex-espião, de 66 anos, e sua filha, de 33 anos. Funcionários dos serviços de saúde consideram improvável que os dois possam ter contaminado os locais por onde passaram. 

As autoridades reiteraram que, até agora, só Skripal, a filha dele e o policial Nick Bailey, internados em estado grave, mas estável, apresentaram sintomas de intoxicação. A diretora regional da organização sanitária Public Health England, Jenny Harries, insistiu que "o risco para os cidadãos é baixo". "Só há três casos no hospital. Nenhum cidadão foi afetado e esta é uma mensagem importante", ressaltou.

A fim de atenuar os temores dos cidadãos, funcionários da Câmara Municipal e dos serviços de saúde de Salisbury irão no sábado à feira que é realizada semanalmente na cidade, para esclarecer as dúvidas dos moradores. As autoridades de Salisbury admitiram que o incidente pode ter impacto na reputação internacional da turística cidade e na economia.

As tensões entre o Reino Unido e a Rússia se agravaram nos últimos dias após este acusar Moscou de estar envolvido do envenenamento. A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta semana a expulsão de 23 diplomatas russos frente à atitude de "completa depreciação" mostrada pelo Kremlin perante os fatos, além de uma série de medidas de represália.

A Rússia negou qualquer envolvimento no caso e o o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, garantiu que prepara represálias contra Londres e que as anunciará em breve. / EFE

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