Polícia britânica reconhe erro na morte de Jean Charles

Várias autoridades policiais entrevistadas para um programa da BBC que reconstituiu a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista suicida, reconhecem os erros cometidos em 22 de julho do ano passado. O programa, que coincide com a visita do presidente Lula à Inglaterra, utiliza atores profissionais que encarnam o jovem e os policiais que seguiram seus passos até a parada do metrô londrino de Stockwell e depois dispararam oito vezes contra ele à queima-roupa. No programa, que será veiculado na noite desta quarta-feira e cujo conteúdo adianta o vespertino Evening Standard, alguns chefes da polícia admitem uma cadeia de falhas e erros que acabaram no trágico episódio. Assim, revelaram que não havia provas de que aquele suspeito pudesse ser um terrorista suicida em potencial. Os responsáveis tiveram que improvisar, o que explica que os agentes armados da divisão CO19 da Scotland Yard, encarregados de concluir a operação, chegaram tarde à estação de Stockwell. Chegando no local, o sistema de rádio policial não funcionou nos túneis do metrô. Por causa dessa grave falha, a equipe de polícia secreta, encarregada de seguir o brasileiro, não pôde verificar se Menezes era realmente um terrorista suicida. No programa da BBC, o ex-chefe de Scotland Yark, Lord Stevens, lembra que a polícia havia pedido repetidamente ao ministério do Interior que aumentasse a quantidade de rádios que funcionassem no metrô. As falhas na chamada "Operação Kratos" são reconhecidas no programa da BBC pela comissária chefe de Gales do Sul, Barbara Wilding, considerada uma das organizadoras da estratégia de "atirar para matar" da polícia antiterrorista. Barbara admite que não pensou na possibilidade de que uma "operação móvel de reconhecimento" sobre um suspeito pudesse se tornar em um engano de identidade. Segundo o Evening Standard, a polícia israelense, que possui uma experiência ampla na luta contra terroristas e foi consultada no dia por Barbara para elaborar as diretrizes da operação, disse que a polícia londrina precisava ter verificado se o suspeito portava explosivos antes de abrir fogo. Apesar do erro, a Associação de Comissários da Polícia (Acpo, em inglês) manifestou publicamente nesta quarta-feira seu apoio à estratégia de "atirar para matar" em casos de terrorismo. A Acpo, que coordena a estratégia das forças de segurança na Inglaterra, Gales e Irlanda do Norte, disse que sua "força letal" é considerada como o meio apropriado para fazer frente aos casos de terrorismo.

Agencia Estado,

08 Março 2006 | 17h40

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