Peter Nicholls/Reuters
Peter Nicholls/Reuters

Londres apura se terrorista teve ajuda e divulga foto

A Scotland Yard fez duas prisões definidas como ‘importantes’ para descobrir se houve conexões internacionais, mas liberou seis suspeitos

Andrei Netto, Enviado Especial / Londres, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2017 | 06h42
Atualizado 24 de março de 2017 | 20h47

A Scotland Yard, a polícia nacional do Reino Unido, divulgou nesta sexta-feira a imagem de Khalid Masood, o britânico de 52 anos autor do atentado de quarta-feira, na esperança de obter informações que possam explicar seu ato e seus eventuais contatos com o grupo Estado Islâmico. 

Segundo as investigações, o muçulmano que cometeu o ataque mais mortífero em 12 anos no país converteu-se ao islamismo e abandonou seu nome original, Adrian Russell Ajao, em seu percurso de radicalização. A polícia liberou sem acusação seis pessoas presas por supostos vínculos com o crime, mas quatro suspeitos ainda permanecem sob custódia.

É na região de West Midlands, da qual Birmingham é a cidade mais importante, que as investigações se concentram. Foi na cidade industrial que o terrorista teria alugado o automóvel SUV que usou para acelerar sobre a calçada da Ponte de Westminster às 14h40 de quarta-feira, provocando quatro mortes e deixando dezenas de feridos.

A maior dúvida dos investigadores é se Masood agiu sozinho, se contou com uma rede de apoio ou até mesmo com uma célula do EI para orquestrar a tentativa de invasão do Parlamento, antes de ser abatido a tiros pela polícia.

Nesta sexta-feira pela manhã, a Scotland Yard anunciou ter realizado duas novas prisões definidas como “importantes”. Segundo Mark Rowley, comandante da polícia, os dois estariam envolvidos em planos de novos atentados. Operações também ocorreram nas cidades de Manchester, Wales, Surrey e Brighton.

Enquanto apura as eventuais conexões nacionais e internacionais de Masood, a polícia britânica também se debruça no perfil do assassino. A tarefa é mais complexa do que se imaginava, pois o terrorista apresentou-se com pelo menos três nomes ao longo de sua vida – o terceiro foi Adrian Elms – e manteve uma trajetória nômade entre 1983 e 2003, período no qual foi condenado por agressões, posse ilegal de arma e distúrbios da ordem pública.

Segundo o jornal Daily Mail, Jane Harvey, ex-mulher de Masoor entre 1991 e 2000, teria se afastado do ex-companheiro depois de ele supostamente ter convencido a filha mais velha a se converter ao Islã e a usar o hijab, a veste islâmica integral.

Jornais britânicos também tiveram contatos com parentes, ex-vizinhos e tentaram reconstituir as últimas horas antes da tragédia.

“Era uma família gentil, muito reservada. Ele era muito calmo”, contou jornal The Guardian Iwona Romer, uma de suas vizinhas em um condomínio de baixa renda. Segundo ela, Masoor e sua mulher se mudaram de forma súbita às vésperas do Natal, sem informar ninguém. O local foi um dos alvos de inspeções da polícia britânica, que tenta montar o quebra-cabeças da radicalização do autor do atentado e de suas relações com o Estado Islâmico. 

Enquanto as investigações prosseguem em diferentes pontos do país, em Londres a população começa a retomar a vida normal. Neste sábado, uma manifestação em favor da permanência do Reino Unido na União Europeia ocorrerá nas ruas da capital. Um outro protesto, desta vez do grupo nacionalista de extrema direita Britain First, também está marcado para o fim de semana.

Nas ruas de Londres, o sinal mais evidentes da tragédia é a presença ostensiva das forças de ordem. Em uma das principais artérias de acesso ao Parlamento, duas caminhonetes blindadas de sete toneladas da Polícia Metropolitana bloqueiam o trânsito. Agentes armados de fuzis também fazem a segurança de locais sensíveis, como o Palácio de Buckingham, residência da família real, ou as duas casas do Parlamento em Westminster.

Em uma capital acostumada a uma presença discreta de policiais armados – eles são 10% do efetivo londrino –, a população terá de se acostumar nas próximas semanas com a maior visibilidade de soldados com armas automáticas. / EFE

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