Polícia captura líder islâmico de madrugada

"Não sei se meu pai está vivo ou morto." A declaração é de Abrar Zahar, filha do líder islâmico Sobha Faleh, considerado como uma das cabeças do grupo Irmandade Muçulmana. Ao Estado, Abrar falou por telefone desde Alexandria, onde vive com seu pai e contou o que ela classificou como "a noite mais trágica" em seus 36 anos de vida.

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2011 | 00h00

Segundo ela, outras dezenas de conhecidos de seu pai também foram levadas pela polícia na noite de sexta-feira. "Vários companheiros de meu pai também desapareceram e sabemos que muita gente saiu às ruas para protestar e nunca mais voltou", disse Abrar.

"O governo está aproveitando a situação para colocar na prisão e aniquilar todos aqueles que temem que possam ser uma ameaça. Meu pai tem 69 anos e sequer participou da organização dessa manifestação. Tampouco saiu às ruas. Essa manifestação é dos jovens e não da Irmandade Muçulmana", afirmou a filha do líder islâmico. "Mas todos sabem que ela (manifestação) se transformou em uma ocasião ideal para o governo acabar de vez com toda a oposição. O que o governo não entendeu, é que não funcionará." De acordo com Abrar, sete pessoas vestidas como civis entraram em sua casa às 2 horas da manhã.

"Com as armas nas mãos, pediram por meu pai, que foi levado de pijama mesmo", explicou a filha do líder islâmico. "Levaram seu laptop, muitos documentos e fizeram questão de destruir seu quarto inteiro", contou Abrar.

O temor de sua família é que seu pai esteja entre os mais de cem mortos já registrados em todo o país. "O governo não quer a liberdade e não terá limites para adotar a força para impedir que isto ocorra."

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