Albert Gea/Reuters
Albert Gea/Reuters

Locais de votação catalã, hospitais entram em disputa

Polícia catalã adverte que paralisação dos serviços públicos para impedir plebiscito sobre independência pode causar distúrbios

Andrei Netto, Enviado Especial / Barcelona, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2017 | 11h28
Atualizado 27 Setembro 2017 | 20h55

Um dia depois de ordenar o fechamento de escolas e centros cívicos onde seriam organizadas seções eleitorais para o plebiscito sobre a independência da Catalunha, a ofensiva das autoridades da Espanha contra a votação de domingo pode resultar no fechamento de hospitais, ambulatórios e asilos de idosos até o final de semana. 

A advertência de que os serviços públicos podem ser paralisados como “efeito colateral” da ofensiva foi feita pelo chefe da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, que teme distúrbios caso a votação naufrague.

Na terça-feira, o Ministério Público já havia ordenado o bloqueio do acesso a escolas públicas e entidades que possam acolher centros de votação. Um total de 6,3 mil seções eleitorais estariam sendo organizadas em toda a Catalunha, espalhadas por 700 prefeituras, com o objetivo de receber o maior número possível de votos dos 7,5 milhões de habitantes da região. 

A ordem inclui a retirada forçada de todas as pessoas que contrariarem a orientação – medida que atinge em cheio os militantes da causa independentista. A ordem inclui ainda a prisão de eventuais autoridades públicas que não aplicarem a orientação.

A ofensiva representou uma nova etapa na repressão aberta pelo governo do primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, contra o governo catalão. O premiê vem advertindo que impedirá o plebiscito, que chamou de “desafio à nação espanhola”. 

Há uma semana, 14 funcionários de alto escalão foram presos em cumprimento a um mandado do Tribunal Constitucional de Madri, que considera a consulta ilegal. Em oposição frontal a Rajoy, o presidente da região da Catalunha, Carles Puigdemont, líder do movimento secessionista, continua disposto a realizar a votação a qualquer custo.

Em meio à disputa entre Rajoy e Puigdemont, o chefe dos Mossos d’Esquadra, a polícia catalã, advertiu ontem que distúrbios podem se multiplicar caso o impasse se aprofunde nas próximas horas. A polícia é subordinada à Justiça, que considera o plebiscito ilegal, e Trapero é encarregado da ofensiva contra a consulta popular, obedecendo às ordens do Ministério Público. “Essas consequências têm a ver com a segurança cidadã e com o risco mais previsível de alteração da ordem pública que ela pode causar”, alertou. 

Para o porta-voz da Associação Juízes pela Democracia, Ignacio González, o governo de Rajoy pode até mesmo conseguir impedir a realização do plebiscito nas grandes cidades, como Barcelona, mas as consequências dessa estratégia podem ser imprevisíveis.

Nesta quarta-feira, o governo de Rajoy pediu à União Europeia e a países vizinhos que impeçam a chegada à Catalunha de grupos radicais de esquerda, movimentos antissistema, anarquistas e black blocs que estariam se organizando para protestar em Barcelona no domingo. Um alerta nesse sentido foi emitido às polícias nacionais de países como França e Alemanha, onde esses movimentos são fortes.

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