Polícia cerca templos em Mianmar ao fim de 'quaresma budista'

Policiais armados cercaram nasexta-feira importantes templos budistas de Yangun, principalcidade de Mianmar, ao final do período anual de recolhimentomonástico, com o objetivo de evitar a retomada dos protestospró-democracia do mês passado, os maiores em 20 anos, lideradospor monges. Um repórter da Reuters foi impedido de tirar fotos dasegurança extraordinária em torno do templo de Shwedagon, cujacúpula dourada é o local mais sagrado do país e foi o epicentrodos protestos iniciados há exatamente um mês pelos monges. A inquietação na antiga Birmânia havia começado seissemanas antes, com manifestações esporádicas contra um forteaumento no preço dos combustíveis. A polícia também está presente no santuário de Sule, nocentro de Yangun, onde as passeatas contra a pobreza e o regimemilitar de 45 anos costumavam terminar. Não há barricadas, mas a polícia tem à mão rolos de aramefarpado para isolar ruas, tática já usada no mês passado nahora de dispersar os milhares de manifestantes. A imprensa estatal diz que 10 pessoas morreram na repressãoàs manifestações, mas governos estrangeiros suspeitam que onúmero seja muito superior a isso. Quase 3.000 pessoas foram presas no país, mas só algumascentenas continuam detidas, segundo a imprensa oficial. O toquede recolher imposto durante as manifestações foi suspenso, oque indica que os generais estão confiantes de terem controladoa situação. Os jornais oficiais também deram mais detalhes sobre areunião de quinta-feira entre a líder oposicionista Aung SanSuu Kyi e o vice-ministro Aung Kyi, um general da reservanomeado como intermediário após uma visita do representanteespecial da Organização das Nações Unidas (ONU), IbrahimGambari. O jornal A Nova Luz de Mianmar, principal porta-voz doregime, disse que a reunião numa casa de hóspedes do governodurou 75 minutos. Uma foto mostrava a dupla sentada frente afrente diante de uma mesa. Aung Kyi sorria, enquanto Suu Kyi,que passou 12 dos últimos 18 anos presa, tinha o olhar perdido. (Com reportagem de Isabel Reynolds em Tóquio)

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