Polícia chinesa acusa artista detido de sonegação

A polícia chinesa afirma que tem provas firmes de que o artista plástico e ativista detido Ai Weiwei sonegou impostos e diz que ele começou a "confessar", disse na quinta-feira um jornal de Hong Kong controlado por Pequim, atraindo críticas da irmã de Ai.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

14 de abril de 2011 | 17h50

O jornal Wen Wei Po disse que dispõe das informações mais confirmadas até agora sobre as acusações que a polícia chinesa prepara contra Ai, cuja prisão secreta este mês suscitou críticas de grupos de defesa dos direitos humanos e governos ocidentais, alarmados com a campanha do governista Partido Comunista contra a dissensão.

O robusto e barbado Ai Weiwei foi detido no aeroporto de Pequim em 3 de abril.

Ele participou da criação do estádio Ninho do Pássaro, usado nas Olimpíadas de 2008 em Pequim, e conjuga uma carreira artística internacional com campanhas chamativas contra a censura governamental e as restrições políticas, frequentemente fazendo uso da Internet.

Sua família disse que a alegação do governo de que Ai é suspeito de crimes econômicos é um pretexto para reprimir seu ativismo.

Citando fontes não identificadas, o Wen Wei Po disse que investigadores reuniram "grande quantidade de provas de que Ai Weiwei é suspeito de sonegar impostos e que os valores são bastante altos".

O Wen Wei Po é um jornal em língua chinesa publicado em Hong Kong pelas autoridades da China continental e às vezes é usado para apresentar os argumentos de Pequim em questões controversas.

"As autoridades de segurança pública acumularam evidências testemunhais, documentais e circunstanciais bastante sólidas, e Ai Weiwei vem demonstrando uma atitude bastante positiva, cooperando com a investigação, e começou a confessar", diz a reportagem.

BIGAMIA, PORNOGRAFIA

O jornal disse também que Ai é suspeito de bigamia e de "disseminar pornografia pela Internet".

A irmã de Ai, Gao Ge, disse à Reuters que a polícia não informou a família sobre onde ele se encontra nem sobre as acusações feitas a ele e que o jornal de Hong Kong está sendo usado para denegri-lo sem lhe dar chance de responder.

Gao disse: "É claramente contra a lei mantê-lo detido por tanto tempo sem nos transmitir qualquer informação."

A acusação de bigamia é "absurda", disse Gao, e fazer outras acusações sem dar direito de resposta a Ai é uma injustiça grosseira.

Ai Weiwei, 53 anos, é o mais destacado internacionalmente entre dezenas de dissidentes, advogados de direitos humanos, ativistas e agitadores de base chineses detidos ou postos sob custódia secreta desde fevereiro, quando o medo de contágio dos levantes no Oriente Médio desencadeou uma onda de repressão por parte do aparelho de segurança doméstica da China.

Na quinta-feira, Jian Bianling, esposa do advogado de direitos humanos de Pequim Jiang Tianyong, detido pela polícia há quase dois meses, lançou um pedido por escrito de informação sobre seu paradeiro e a razão pela qual foi preso.

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