Polícia chinesa proíbe concurso de 'Mr. Gay'

A polícia de Pequim proibiu na sexta-feira o que os organizadores descreveram como o primeiro concurso de beleza gay da China, dizendo que o evento não tinha licença para acontecer.

REUTERS

15 de janeiro de 2010 | 14h10

O vencedor do "Mr. Gay China" representaria o país asiático no concurso mundial, que será realizado na capital norueguesa no próximo mês. Seria a primeira vez que um representante da China continental participaria do evento.

"É de partir o coração," disse o ativista dos direitos gays Xiao Gang, um dos juízes.

"Eles já fizeram esse tipo de coisa antes, sem dar nenhuma explicação (...) Claro que existe um elemento de homofobia nisso. Mas não há nada de político nesse evento".

Os policiais presentes no local, um sofisticado bar de Pequim, não quiseram comentar o episódio e anotaram as identidades dos repórteres estrangeiros.

O cancelamento do evento ocorreu no momento em que o primeiro-ministro alemão, Guido Westerwelle, gay assumido, estava em visita à China.

Organizadores esperavam que o concurso, com desfile de roupas de banho e show de talentos, fosse um marco para incentivar mudanças na sociedade chinesa, que tem uma atitude tradicionalmente conservadora com relação à homossexualidade.

A homossexualidade foi considerada doença mental pelo governo chinês até 2001, quando ativistas gays eram assediados constantemente por autoridades chinesas.

(Reportagem de Ben Blanchard)

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