Polícia chinesa resgata mais 43 escravos

Juízes advertem que muitos dos traficantes de escravos podem não ser processados

Agências internacionais, Agencia Estado

18 Junho 2007 | 14h25

A Polícia encontrou outros 43 trabalhadores escravizados em fábricas de tijolos do centro da China, aumentando o número de resgatados para 591. No entanto, juristas reconheceram que muitos dos criminosos podem não ser processados devido à brecha legal que existe, informou o jornal estatal China Daily.A Polícia das províncias de Henan e Shanxi, as mais afetadas peloescândalo, fez buscas em mais de 6 mil fábricas de tijolos, minas de carvão e pequenas olarias na busca de escravos, que eramseqüestrados ou enganados em estações de trem e rodoviárias e viviam em péssimas condições.Por enquanto 168 envolvidos foram presos e foram desmanteladascinco redes de venda de escravos. Muitos deles eram crianças, mastambém foram encontrados deficientes mentais e idosos.Existe ainda muita preocupação já que a maioria das crianças,cujo desaparecimento foi denunciado por mais de 400 pais, ainda não foi encontrada.Enquanto isso, juristas chineses advertiram que muitostraficantes de escravos podem livrar-se da Justiça, devido àanormalidade do caso e à falta de legislação específica.Por outro lado, enfrentam possíveis penas de prisão os quetiveram traficado mulheres e crianças, pois na China há leis contra este crime, por causa de anos de escândalos pela venda de mulheres para casamentos de conveniência ou de bebês a famílias que desejam ter um filho homem.Os que não vão se livrar da ação da Justiça são os donos dasfábricas de tijolos, que devem enfrentar acusações como detençãoilegal, maus tratos e até homicídio. Alguns escravos chegaram amorrer agredidos ao tentarem fugir ou por não cumprirem tarefas.O escândalo comoveu à sociedade chinesa, onde poucos imaginavamque existisse escravidão, apesar das más condições de trabalho emmuitas fábricas. O sul do país é especificamente conhecido comocentro de processamento de produtos a baixo exportados para todo o mundo.O vice-ministro de Trabalho e Seguridade Social, Sun Baosu,visitou durante o fim de semana a localidade de Hongtong (emShanxi), a primeira onde foram descobertas fábricas de escravos, e assegurou que os responsáveis serão "severamente punidos".Os casos "tiveram um impacto extremamente grave" na sociedade daChina, disse ele.

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