Jose Luis de la Cruz/EFE
Jose Luis de la Cruz/EFE

Polícia comunitária recruta 20 crianças de 8 a 14 anos no México

Meninos e meninas vivem em Guerrero, um dos estados mais pobres e violentos do país

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2020 | 20h38

CHILAPA DE ÁLVAREZ, MÉXICO - Cerca de vinte crianças foram apresentadas nesta quarta-feira, 22, como novos membros da polícia comunitária no município de Chilapa de Álvarez, no Estado de Guerrero, sul do México, para ajudar a combater grupos violentos que flagelam a comunidade e a região.

As crianças, que têm entre 8 e 14 anos, foram apresentadas pela Coordenadoria Regional dos Povos Fundadores das Autoridades Comunitárias (CRAC-PF) em uma espécie de prática militar, no meio da estrada, na qual eles apresentaram suas armas.

“Armas no ombro, agora!” Foi uma das várias ordens emitidas por um adulto às crianças, que cumpriram diferentes posições de tiro, sempre empunhando suas armas e tendo parte de seus rostos cobertos por bandanas.

"Um aplauso para essas crianças que se esforçaram para se preparar", disse um dos responsáveis, atrás do qual os pequenos, que usavam camisetas do CRAC-PF, formaram fileiras e se reuniram em grupos.

A decisão de integrar as crianças como guardas da comunidade ocorreu após o assassinato de dez músicos indígenas em um ataque armado em Chilapa na última sexta-feira.

Nesta quarta-feira, crianças das comunidades de Ayahualtempa e Alcozacán, onde foram apresentadas, marcharam pelas ruas da cidade como uma apresentação oficial à comunidade.

Posteriormente, o coordenador do CRAC-PF, Bernardino Sánchez, informou que a mobilização das crianças visava solicitar a presença na comunidade do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, que recebeu 29 demandas para reduzir a violência na região.

"Esperamos que o presidente destrave essa estrada de Chilapa-José Joaquín de Herrera, queremos que ele atenda às nossas demandas", disse Sanchez.

Ele também listou uma série de propostas de segurança e justiça na região. "Aguardamos a resposta do governo, do presidente (López Obrador) e do governador (Héctor Astudillo), pois eles têm a solução", afirmou.

Os membros do CRAC-PF esperam que López Obrador se encontre com as viúvas e órfãos dos homens que foram mortos no ano passado. Eles dizem que há 24 viúvas e 66 órfãos na comunidade.

Horas antes, o promotor estadual Jorge Zuriel de los Santos informou que seis membros da gangue Los Ardillos teriam matado 10 músicos na última sexta-feira, posteriormente calculando os veículos pelos quais viajaram por Chilapa.

"Uma célula composta por seis sujeitos do grupo criminoso que opera nessa área e é conhecido como 'Los Ardillos' pode ser estabelecida como responsável por esses eventos", disse o promotor em entrevista coletiva.

Guerrero é um dos Estados mais pobres e violentos do México. Segundo dados da Secretaria Executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública, o México registrou 34.582 assassinatos em 2019 e 1.875 desses homicídios ocorreram em Guerrero.

Grupos de autodefesa no Estado de Guerrero apareceram nos anos 70 e ressurgiram a partir de 2013 com o aumento da violência na região. /EFE

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