Polícia contém violência na França

Sarkozy recebe parentes de jovens mortos no domingo e promete investimento nos bairros mais pobres do país

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2007 | 00h00

Paris - A calma nos subúrbios de Paris só foi retomada ontem depois que o Ministério do Interior organizou um autêntico estado de sítio na região. Mais de mil policiais, carros blindados e helicópteros foram mobilizados para evitar novos tumultos nos arredores de Paris. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, prometeu punir os baderneiros e classificou os rebeldes que atiraram em policiais de "assassinos". "Os que foram responsáveis pelos tiros contra as forças de ordem vão se ver diante da Justiça. São responsáveis por tentativas de assassinato inadmissíveis", disse Sarkozy. Mesmo dando prioridade à repressão, o presidente anunciou também a abertura de um inquérito para investigar a responsabilidade pelas mortes de dois adolescentes em Villiers-le-Bel, norte de Paris, em um acidente de trânsito envolvendo uma patrulha da polícia, na noite de domingo, fato que deflagrou os conflitos que deixaram 80 policiais feridos e vários carros e prédios incendiados. Os protestos já são considerados mais graves do que os ocorridos em 2005, uma vez que os manifestantes, agora, estão usando pela primeira vez técnicas de guerrilha e armas de fogo.Numa tentativa de acalmar os ânimos e as críticas ao governo, o presidente Sarkozy recebeu ontem no Palácio do Eliseu parentes dos dois adolescentes mortos - Larami, marroquino de 16 anos, e Mouhsin, senegalês de 15. O primeiro-ministro, François Fillon, anunciou investimentos de US$ 17,7 bilhões nos subúrbios das grandes cidades do país, sendo US$ 200 milhões apenas para Villiers-le-Bel.INVESTIGAÇÃOA investigação terá de esclarecer dois pontos: se os policiais provocaram o acidente, derrubando a motoneta em que estavam os jovens, e se houve omissão de socorro às vítimas. Pelo menos uma das versões da polícia caiu por terra ontem. Segundo a versão oficial, a viatura contra qual se chocaram os garotos foi depredada pelos moradores após o acidente. No entanto, um vídeo amador obtido pelo jornal Le Monde, gravado imediatamente após o acidente, mostra o carro da polícia já danificado, o que aumenta a possibilidade de ele ter se chocado violentamente contra a moto dos rapazes.A nova onda de violência não surpreendeu especialistas no tema. Michel Kokoreff, sociólogo da Sorbonne, diz que o governo não soube agir após os distúrbios de 2005. "Todos têm a impressão de que nada mudou." Para Kokoreff, há muitos pontos de atrito na relação entre a polícia e os jovens dos subúrbios. Estatísticas da polícia francesa reiteram as conclusões de Kokoreff. Durante todo o ano de 2005 - incluindo os meses dos distúrbios de outubro e novembro -, 49 mil automóveis foram incendiados em todo o país.No ano passado, mesmo sem ter havido nenhuma grande revolta, 44 mil veículos foram queimados por jovens na França.

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