REUTERS/David Mercado
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Polícia da Bolívia prende mais de 100 mineiros após protestos e morte de vice-ministro

Trabalhadores rejeitam lei promulgada pelo governo porque ela estimula a formação de sindicatos nas cooperativas, o que eles consideram prejudicial ao funcionamento da organização

O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2016 | 09h50

LA PAZ - A polícia da Bolívia prendeu na quinta-feira mais de 100 mineiros que participaram dos bloqueios em estradas na região onde foi sequestrado e assassinado o vice-ministro do Regime Interior, Rodolfo Illanes.

O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, disse ao canal de televisão Red Uno, que o governo não deixará impune o crime e que agentes de inteligência já prenderam entre 100 e 120 pessoas em razão das investigações.

Segundo Ferreira, o presidente boliviano Evo Morales, "está profundamente comovido" e no gabinete estão todos muito tristes, porque Illanes era um vice-ministro "bastante querido".

Ele anunciou que o presidente se reunirá nesta sexta-feira, 26, com os ministros e depois serão anunciadas as medidas a serem tomadas diante do conflito com os mineiros associados em cooperativas.

Os trabalhadores rejeitam uma lei promulgada pelo governo porque ela estimula a formação de sindicatos nas cooperativas, o que eles consideram prejudicial ao funcionamento da organização.

O ministro do Interior da Bolívia, Carlos Romero, confirmou que Illanes foi "covarde e brutalmente assassinado". "Temos um profundo pesar e solidariedade com a dor da família."

"Queremos não somente expressar nosso profundo repúdio por este ato criminoso sem precedentes, mas ao mesmo tempo pedimos à Justiça que esclareça este assassinato", concluiu Romero.

Corpo. O corpo de Rodolfo Illanes foi resgatado e levado a La Paz onde passará por uma autópsia. O procurador-geral do Estado, Héctor Arce, e o ministro do Trabalho, Gonzalo Trigoso, receberam o corpo na cidade de El Alto. Illanes sofreu vários golpes na cabeça, particularmente na nuca.

O procurador Arce disse a jornalistas que Illanes era "um homem bom, com uma vida regrada" que tentou solucionar o conflito dos mineiros quando foi a Panduro, a 180 quilômetros de La Paz, para se reunir com o grupo.

Reymi Ferreira havia acusado os mineiros de atuar com "intransigência", pois não estavam permitindo a remoção do corpo para que fosse submetido a uma autópsia e liberado para a família.

"É uma atitude terrivelmente criminosa que estão demonstrando estes dirigentes", disse Ferreira, em alusão aos líderes da Federação Nacional de Cooperativas Mineiras (Fencomin), responsável pelos protestos. / EFE

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