TVN.bg / Reuters
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Suspeito de estupro e assassinato de jornalista na Bulgária é solto por falta de provas

Jornalistas investigativos locais pediram que autoridades não descartem a hipótese de que a morte de Viktoria possa estar relacionada a seu trabalho como jornalista

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 15h21
Atualizado 09 Outubro 2018 | 20h13

RUSE, Bulgária - Poucas horas depois de prender, a polícia da Bulgária libertou por falta de provas um cidadão romeno de origem ucraniana detido em meio às investigações do estupro e assassinato da jornalista Viktoria Marinova, cujo corpo foi encontrado em um parque em Ruse, sua cidade natal. 

Em seu último programa de TV, no dia 30 de setembro, Viktoria apresentou dois jornalistas que estavam investigando um suposto caso de corrupção envolvendo fundos da União Europeia. Ela disse que seu programa regional de atualidades, Detector, realizaria investigações semelhantes.

Embora nenhuma ligação tenha sido estabelecida com o trabalho de Viktoria, sua morte tem indignado muitos no país, onde a população está frustrada com a crescente corrupção e com um Judiciário ineficiente, pelo qual a Bulgária já foi criticada pela Comissão Europeia.

Procuradores disseram que a jornalista de 30 anos, que era apresentadora e âncora de uma emissora de TV local, foi estuprada, agredida e sufocada. Seu corpo foi encontrado no sábado.

A Comissão Europeia pediu que a Bulgária conduza uma investigação rápida sobre o assassinato.

Alguns jornalistas investigativos locais pediram que autoridades não descartem a hipótese de que a morte de Viktoria possa estar relacionada a seu trabalho como jornalista.

“Eu vejo tentativas deliberadas de marginalizar esse assassinato e de manipular a opinião pública de que Viktoria foi vítima de um ataque aleatório ou de um homicídio sexual”, disse Assen Yordanov, fundador do site Bivol.bg, cujos repórteres apareceram no último programa de Viktoria. Ele não entrou em detalhes.

Yordanov disse que Viktoria foi a única jornalista que aceitou receber os repórteres de seu site para discutir a investigação de suposta corrupção e uso indevido de recursos da União Europeia.

Moradores realizaram uma vigília durante a noite e acenderam velas em frente a uma imagem de Viktoria. Muitos foram ao local nesta terça-feira para homenagear a jornalista, que deixa uma filha de 7 anos. / REUTERS 

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