Mohd Rasfan / AFP
Mohd Rasfan / AFP

China alerta para manifestações ‘perigosas’ em Hong Kong no aniversário do regime

Há quatro meses são registrados atos quase diários na cidade para exigir reformas democráticas; nesta segunda, Xi Jinping prestou homenagem a Mao Tsé-tung e prometeu que respeitará a autonomia do território

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2019 | 08h06

HONG KONG - Para a polícia da China, as manifestações pró-democracia em Hong Kong marcadas para terça-feira - que coincidem com o 70.º aniversário de fundação do regime comunista no país - serão "muito, muito perigosas".

"Depois de nossa análise, acreditamos que a situação amanhã (terça-feira) será muito, muito perigosa", afirmou o superintendente John Tse à imprensa nesta segunda-feira, 30. "Os insurgentes estão aumentando a violência. A profundidade e a amplitude de sua violência e de seus planos demonstram que cada vez mais estão recorrendo ao terrorismo.”

Hong Kong, que vive desde junho sua crise política mais grave desde que o território foi devolvido a Pequim em 1997, voltou a ser cenário no domingo de graves confrontos entre a polícia e manifestantes radicais, que incendiaram barricadas no centro da cidade.

Há quatro meses são registradas manifestações quase diárias em Hong Kong para exigir reformas democráticas. Mas nos últimos dias a tensão aumentou, com a aproximação da data que vai celebrar, na terça-feira, os 70 anos da criação da República Popular da China.

Xi Jinping homenageia Mao

O presidente chinês, Xi Jinping, prestou homenagem nesta segunda a Mao Tsé-tung. Ao lado de outras autoridades do governo, ele, que em alguns momentos é apresentado como o dirigente chinês com mais poder desde Mao (à frente do país de 1949 a 1976), visitou o mausoléu onde fica o corpo embalsamado do fundador da China comunista na Praça Tiananmen (Paz Celestial), no centro de Pequim.

Xi se inclinou em três ocasiões diante da estátua de Mao, informou a agência oficial Xinhua, e prestou homenagem aos restos mortais dele, conservados em uma área de vidro no memorial. 

O presidente havia se inclinado diante do corpo de Mao pela última vez em 2013, para recordar o 120.º aniversário de seu nascimento.

Xi comandará na terça-feira as celebrações do 70.º aniversário da China comunista na Praça Tiananmen, onde Mao proclamou a República Popular no dia 1.º de outubro de 1949, ao fim de uma guerra civil. O governo programou um desfile militar e civil para celebrar a data.

Após a visita ao mausoléu, Xi depositou flores diante do Monumento aos Heróis do Povo, uma coluna no centro da Praça Tiananmen, a mesma na qual se refugiaram os últimos manifestantes da Primavera de Pequim durante a sangrenta repressão militar de 1989.

Ainda nesta segunda, Xi prometeu que respeitará a autonomia de Hong Kong e manter o princípio aplicado à ex-colônia britânica de "um país, dois sistemas", após meses de manifestações pró-democracia neste território.

Política de reformas

Após a morte de Mao, o Partido Comunista Chinês (PCC) iniciou uma política de reformas econômicas para superar o coletivismo imposto até então. 

O PCC resumiu o balanço do maoismo com a fórmula "dois terços positivos, um terço negativo". As críticas públicas a esta época não são comuns na China. / AFP

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