EFE/Leonardo Muñoz
EFE/Leonardo Muñoz

Polícia da Colômbia suspende quatro agentes por morte de cocaleiros

Defensoria do Povo alertou para ‘suposta responsabilidade da polícia’ no caso, no qual 6 pessoas morreram e 20 ficaram feridas em Tumaco

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 12h47

BOGOTÁ - A Polícia Nacional da Colômbia anunciou nesta segunda-feira, 9, que suspendeu quatro agentes que teriam disparado contra produtores de coca, provocando a morte de seis deles, na região da fronteira com o Equador na semana passada.

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“Em razão da absoluta transparência da investigação” foi aplicada a “suspensão disciplinar” a quatro policiais antinarcóticos “que prontamente acionaram suas armas de fogo” na quinta-feira 5 no município de Tumaco, Departamento de Nariño, informou a instituição em um comunicado.

A Defensoria do Povo alertou no domingo para a suposta responsabilidade da polícia em uma ação que havia sido atribuída pelo governo e a força pública a alguns dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que abandonaram o processo de paz.

O episódio causou a morte de seis pessoas, entre elas dois indígenas, e deixou outras 20 feridas em Tumaco, região do país com maior quantidade de cultivos de folha de coca, produto base para a fabricação da cocaína.

As comunidades de produtores de coca denunciaram que os soldados abriram fogo contra os manifestantes que rejeitavam a erradicação de cultivos ilícitos.

Os agentes suspensos são “os comandantes que estão diretamente envolvidos”, embora não tenham sido os únicos membros da polícia e do Exército a abrir fogo, disse o general José Ángel Mendoza, diretor da polícia antinarcóticos, a emissoras de rádio locais.

A violência foi “provocada por grupos narcotraficantes que querem manter atividade na região (...). A intenção é provocar uma visão negativa sobre a força pública que não está cumprindo a tarefa de erradicar as florestas” de coca, destacou Mendoza.

As autoridades disseram que um grupo de guerrilheiros forçou os produtores de coca a se manifestarem, e disparou explosivos contra policiais e militares em meio aos protestos, que segundo a Defensoria reuniram cerca de 1,5 mil pessoas.

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Contudo, uma comissão da Defensoria destacou que não encontrou evidências que apontem para o uso desses artefatos.

Produtores de coca em várias regiões da Colômbia, principal exportador mundial de cocaína, se opõem à eliminação dos cultivos da droga por considerar insuficiente a ajuda econômica que o governo oferece em troca da plantação de produtos lícitos.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse na sexta-feira que seu governo seguirá com o plano antidrogas, apesar das mortes dos cocaleiros, com o qual espera eliminar 50 mil hectares de coca em todo o país. Para os camponeses que se negarem a entrar no projeto, foi posto em ação um plano de erradicação forçada. / AFP

 

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