AP/Antonio Calanni
AP/Antonio Calanni

Polícia da Itália recupera três obras roubadas por nazistas

As pinturas de temática religiosa foram encontradas em duas casas de Milão; dois são presos por interceptação

O Estado de S. Paulo

19 Abril 2016 | 05h00

MILÃO - Três pinturas do final do século 15 que estavam desaparecidas desde que foram saqueadas por tropas nazistas de uma vila da Toscana, mais de 70 anos atrás, foram recuperadas e duas pessoas foram acusadas de receber bens roubados, informou a polícia da Itália nesta segunda-feira.

As obras de temática religiosa, encontradas em duas residências particulares de Milão em julho, foram descritas pela historiadora da arte Paola Strada como "de imenso interesse em razão de seu caráter único e por serem de artistas considerados raros no mercado".

Parte de uma vasta coleção de arte da Casa de Bourbon-Parma, as pinturas foram roubadas por soldados alemães em 1944 de uma vila da cidade toscana de Camaiore, onde o príncipe Félix, consorte da Grande Duquesa de Luxemburgo, morou em certa época.

A maioria das peças roubadas, mantidas na vila de um membro do alto escalão da organização militar nazista SS, foi encontrada e enviada de volta a Luxemburgo pouco após o final da guerra.

As 3 pinturas recuperadas em Milão, e mantidas na Pinacoteca de Brera da cidade desde julho, estavam entre as quase 40 obras desaparecidas. Foi iniciada uma investigação criminal ligada à descoberta das pinturas e a duas pessoas não identificadas acusadas de receptação de bens roubados, disse o chefe do departamento de Crimes de Arte, Riccardo Targetti.

Especialistas do Ministério da Cultura italiano disseram não ter conseguido estimar o valor das obras de arte. "Por enquanto, não há parâmetros que possamos usar para quantificar o quanto elas valem", afirmou Paola.

Entre as obras estão a "Trindade", de Alessio Baldovinetti, influenciado pelo pintor da Renascença Fra Angelico, e a "Apresentação de Jesus no Templo", do veronês Girolamo Dai Libri, um famoso miniaturista.

De acordo com Antonella Ranaldi, superintendente das artes do Ministério da Cultura, as pinturas precisam ser restauradas, já que "seu estado de conservação não é dos melhores".

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