Polícia da Jordânia interroga extremistas

Autoridades jordanianas interrogaram hoje extremistas islâmicos, mas desconsideraram a reivindicação, por parte de um grupo pouco conhecido, do assassinato do diplomata americano Lawrence Foley. O grupo, autodenominado Shurafaa´al-Urdun, ou Honoráveis da Jordânia, enviou um comunicado para o diário árabe Al-Quds Al-Arabi, baseado em Londres, afirmando que Foley foi morto em protesto contra o apoio dos EUA a Israel e o "banho de sangue no Iraque e Afeganistão".Foley, administrador da Agência para o Desenvolvimento Internacional dos EUA, de 60 anos, caminhava em direção a seu carro, na segunda-feira, quando um único atirador abriu fogo, relatou a polícia. O atirador escapou.A Jordânia reforçou a segurança na capital, em vista do assassinato - o primeiro contra um diplomata americano no país. Autoridades que pediram para não serem identificadas desconsideraram a reivindicação de autoria do atentado, que era desconhecido até o ano passado, quando assumiu o assassinato de um empresário israelense perto de onde Foley morava. Oficiais de segurança também rejeitaram o anúncio do grupo.Uma autoridade do governo, exigindo anonimato, disse que um "punhado" de extremistas conhecidos da polícia estava sendo interrogado.Um extremista, que era procurado por um ataque contra uma delegacia de polícia no ano passado, foi detido após travar um tiroteio com policiais perto da cidade sulista de Maan, 250 km ao sul da capital jordaniana, Amã. Mas policiais na capital afirmaram que Mohammad Ahmad al-Chalabi não tinha ligação com o assassinato de Foley.A polícia também investigava relatos de testemunhas, dando conta de que um homem, usando uma máscara, foi visto nos arredores da casa de Foley na hora do crime.A polícia interrogou trabalhadores de uma construção na frente da casa de Foley e outras testemunhas no luxuoso bairro de Amã.A Embaixada americana em Amã ficou fechada hoje, atendendo apenas casos de emergência, e diplomatas tratavam do translado do corpo de Foley para os Estados Unidos.O rei Abdullah II, da Jordânia, e sua esposa, rainha Rania, visitaram a Embaixada dos EUA e assinaram o livro de condolências. O casal real também reuniu-se rapidamente com a viúva de Foley.Um comunicado da Embaixada advertiu os americanos para "terem precaução, estarem atentos ao que se passa ao seu redor e alternarem rotas de viagens e horários".Autoridades americanas anunciaram que estão trabalhando em conjunto com investigadores jordanianos, e não descartam a hipótese de um atentado terrorista.O assassinato chocou o governo pró-ocidental da Jordânia, que tem mantido estreitos laços com Washington, apesar de uma crescente revolta pública contra o apoio dos EUA a Israel e as preparações para uma guerra contra o vizinho Iraque.

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