Alfredo Zuniga/AP
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Nicarágua prende quinto pré-candidato presidencial de oposição a Ortega

Miguel Mora, do Partido da Renovação Democrática, é investigado por 'crimes contra a soberania'

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2021 | 16h30

MANÁGUA - A polícia da Nicarágua prendeu o pré-candidato à presidência Miguel Mora, investigado por "crimes contra a soberania", no último domingo, 20. O político e jornalista é o quinto rival do presidente Daniel Ortega a ser preso no país.

Mora, que também é jornalista, foi detido em sua casa por incitar a interferência estrangeiras em temas internos e pedir intervenções militares. A justificativa tem como base em uma lei que o governo Ortega aplica aos opositores, informou a polícia.

Ele era pré-candidato à presidência pelo Partido da Renovação Democrática (PRD, evangélico), que perdeu o status de pessoa jurídica em maio via tribunal eleitoral. A legenda não poderá concorrer nas eleições de 7 de novembro.

Com Mora, 17 opositores foram detidos a cinco meses das eleições gerais, incluindo cinco pré-candidatos à presidência. Ortega, de 75 anos - os últimos 14 no poder de maneira consecutiva -, pode buscar o quarto mandato seguido.

A ação policial contra opositores começou em 2 de junho, com a detenção da aspirante à presidência Cristiana Chamorro, 67 anos, filha da ex-presidente Violeta  Chamorro, que segundo as pesquisas era a rival mais popular para a disputa com Ortega nas eleições de novembro.

Chamorro é acusada de lavagem de dinheiro por meio de uma fundação que tem o nome de sua mãe.

Também foram detidos o ex-diplomata Arturo Cruz, o cientista político Félix Maradiaga e o economista Juan Sebastián Chamorro, primo de Cristiana. Mora era diretor do canal 100% Notícias, que foi fechado e atualmente existe apenas no formato digital. 

Esta é a segunda operação contra Mora: em 21 de dezembro de 2018 ele foi detido por acusações de incitar o ódio para promover atos terroristas durante os protestos contra o governo. Ele foi liberado seis meses depois sob uma lei de anistia.

O governo considera que os protestos de 2018, que terminaram com 328 mortos e milhares de exilados, segundo organismos humanitários, foram uma tentativa de golpe de Estado para afastar Ortega do poder. /AFP

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