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Polícia da Nigéria descobre oito carros-bomba em Kano

Autoridades dizem que ainda enfrentam 'sérias ameaças de segurança' na cidade

Agência Estado

23 de janeiro de 2012 | 13h13

KANO - A polícia da cidade nigeriana de Kano, no norte do país, descobriu oito carros-bomba nesta segunda-feira, 23. Uma onda de ataques na cidade matou pelo menos 160 pessoas na semana passada.

 

"Nós descobrimos oito carros com explosivos em diferentes áreas da cidade", disse um graduado policial à agência France Presse, em condição de anonimato. "Ainda estamos enfrentando sérias ameaças de segurança", disse ele.

 

Também nesta segunda-feira, o emir de Kano e o governador do Estado, que tem o mesmo nome, ofereceram suas orações às vítimas dos ataques coordenados realizados pela seita muçulmana Boko Haram. Mas o medo fez com que muitos nigerianos não fossem à mesquita.

 

O emir Ado Bayero, de 81 anos, realizou a cerimônia, mas apenas metade da mesquita estava tomada pelos fiéis. Oficiais da polícia secreta, em ternos mal ajustados, faziam a guarda com rifles de assalto por causa dos temores de novos ataques da Boko Haram.

 

"Eu peço às pessoas de todos os grupos que rezem por este lugar", disse Bayero, que se juntou ao governador do Estado de Kano, Rabiu Kwankwaso. Os moradores da cidade tentam retomar uma aparência de normalidade, mas os nervos estão à flor da pele.

 

Retaliação

 

A Cruz Vermelha nigeriana estima que mais de 150 pessoas morreram nos ataques de sexta-feira em Kano, dos quais pelo menos dois foram realizados por suicidas da Boko Haram, que detonaram carros cheios de explosivos. Os ataques atingiram delegacias de polícia, escritórios de imigração e a sede local da polícia secreta do país.

 

Um porta-voz da Boko Haram, que usa o nome de guerra de Abul-Qaqa, assumiu a responsabilidade pelos ataques em mensagem enviada aos jornalistas na sexta-feira. Ele afirmou que a ação foi tomada porque o governo se recusou a libertar membros do grupo detidos pela polícia.

 

Os ataques coordenados em Kano representam as ações mais sangrentas do grupo - cujo nome significa "educação ocidental é um sacrilégio" - desde o início da campanha terrorista, no ano passado.

 

A Boko Haram já matou 226 pessoas somente em 2012, mais da metade das 510 mortes cuja responsabilidade foi creditada ao grupo em 2011, segundo uma contagem da Associated Press. As informações são da Dow Jones e da Associated Press.

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