Reprodução Facebook
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Polícia da Tailândia mata soldado que deixou 29 mortos em ataque a tiros

Jakrapanth Thomma teria começado a matança motivado por uma transação malsucedida de um imóvel 

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2020 | 04h12

BANGCOC - A polícia da Tailândia matou o soldado que assassinou 29 pessoas e deixou 58 feridas em ataques a tiros no sábado, na cidade de Korat, a cerca de 250 quilômetros de Bangcoc. O atirador foi abatido 17 horas depois do início da matança. Houve trocas de tiros na operação, na madrugada deste domingo, e um policial também morreu.

Os atiradores da polícia levaram 16 horas para acabar com a crise. As autoridades identificaram o agressor como o sargento Jakrapanth Thomma.

O tiroteio ocorreu em Nakhon Ratchasima, o centro urbano de uma região rural tailandesa relativamente pobre que fica a a cerca de 250 km da capital Bangcoc. Grande parte dos tiros aconteceu no shopping Korat do Terminal 21, decorado como um aeroporto e com esculturas coloridas de Lego, um carrossel e imensas réplicas de locais icônicos em todo o mundo.

Segundo o primeiro-ministro da Tailândia, Prayut Chan-ocha, oito feridos seguem em estado grave e 25 já tiveram alta. “Um incidente assim nunca havia acontecido na Tailândia, e esperamos que nunca volte a acontecer”, afirmou. O ataque teria sido motivado por uma transação malsucedida de um imóvel. 

O militar, identificado como Jakrapanth Thomma, de 32 anos, matou primeiro o próprio comandante, e atirou contra outros companheiros. Depois, roubou armas e munição e fugiu em um carro até o centro comercial.

Ele invadiu o local por volta das 18h (8h, no horário de Brasília). Ao chegar ao shopping, o militar começou a atirar indiscriminadamente com um fuzil de assalto contra pedestres e automóveis. O centro comercial foi esvaziado, e o soldado se trancou no porão do shopping. A polícia tentou negociar a rendição. Após 12 horas ele foi morto pela polícia. 

Vídeos gravados do lado de fora do shopping mostraram pessoas se refugiando no sábado à tarde no meio das filmagens. Muitos foram mortos a tiros fora do shopping, alguns em veículos e outros nas calçadas.

Nattaya Nganiem e sua família terminaram de comer pouco antes e estavam se afastando do prédio em seu veículo no momento em que ouviu os tiros. "Primeiro vi uma mulher correndo histericamente do shopping", disse Nattaya, que gravou cenas do local com seu telefone celular.

"Então um motociclista na frente dela saiu correndo e deixou sua moto lá". Centenas de pessoas foram evacuadas do shopping em pequenos grupos pela polícia durante a busca do agressor. "Sentimos muito medo e corremos para nos esconder nos banheiros", disse Sumana Jeerawattanasuk, uma das pessoas resgatadas pela polícia. A mulher acrescentou que sete ou oito pessoas se escondiam no mesmo lugar que ela.

Pouco antes da meia-noite, a polícia anunciou que havia garantido parte do shopping, mas que os agentes ainda estavam procurando o agressor. Cerca de 16 horas depois, as autoridades convocaram uma coletiva de imprensa para anunciar que o agressor havia sido morto a tiros.

A primeira pessoa morta foi o comandante do 22º Batalhão de Munições, do qual o agressor também fazia parte, disse o porta-voz do Ministério da Defesa de Kongcheep. O agressor disparou contra outros na base e pegou armas e munições antes de fugir em um veículo militar.

O homem também postou atualizações em sua página do Facebook durante as filmagens, com mensagens como "Ninguém pode escapar da morte" e "Devo desistir?" Em um post posterior, ele escreveu: "Eu já parei".

Em uma foto que circulou nas redes sociais e que parecia ter sido tirada de sua página no Facebook, o suspeito pode ser visto usando um capacete militar camuflado verde, enquanto no fundo uma bola de fogo e fumaça preta são observadas. Sua foto de perfil mostra-o com uma máscara, vestindo um uniforme de estilo militar e armado com uma arma. A imagem de fundo é de uma arma e balas.

Em suas redes, ele teria compartilhado em tempo real vídeos e fotos durante o tiroteio, comentando em um deles: “Estou cansado de apertar o gatilho”. 

Nas redes sociais, circulam imagens de pânico em um shopping enquanto é possível ver a polícia cercando o entorno do local e outras pessoas correndo com barulho de tiros ao fundo.

A Tailândia é um dos países com maior percentual de pessoas com posse de armas do mundo, mas esse tipo de incidente, cometido por militares contra civis, é muito raro.  /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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