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Governo da Venezuela confirma morte de piloto rebelde

Em pronunciamento na TV estatal, ministro do Interior mostrou a fotografia de Oscar Pérez, de 36 anos, e o incluiu na lista de sete mortos pela polícia na operação

O Estado de S.Paulo

16 Janeiro 2018 | 09h43
Atualizado 16 Janeiro 2018 | 21h26

CARACAS - O governo da Venezuela confirmou nesta terça-feira, dia 16, a morte do ex-policial Óscar Pérez, de 36 anos, um opositor do regime chavista que era procurado pelas autoridades desde junho, quando atacou prédios do governo usando um helicóptero. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que as forças de segurança chavistas usam um lança-granadas antitanque RPG-7 para explodir a casa em que Pérez estava.

Perfil: Oscar Pérez, o policial que usou um helicóptero para protestar contra Maduro

Em pronunciamento na TV estatal, o ministro do Interior, general Néstor Reverol, mostrou a fotografia de Pérez e o incluiu na lista de sete mortos na operação, além de dois policiais. Ainda de acordo com Reverol, outros seis rebeldes presos serão indiciados. “A operação foi realizada para o desmantelamento de uma perigosa célula terrorista, que nos últimos meses havia organizado ataques contra instituições do Estado”, afirmou o general.

Ontem, o governo também divulgou alguns detalhes da operação cinematográfica que resultou no assassinato de Pérez. Os policiais chegaram ao local onde o opositor e seu grupo estava na manhã de segunda-feira. Um vídeo publicado na internet mostra o momento em que as forças de segurança lançam a granada propelida por foguete, RPG-7 , de uso exclusivo das Forças Armadas, contra a casa em que ele estava. O ataque levantou uma grande nuvem de fumaça e destruiu parte da residência. Houve uma intensa troca de tiros. 

Piloto de helicóptero acusado de terrorismo na Venezuela aparece em protesto opositor

A operação durou pelo menos três horas. Em vídeos publicados em sua conta no Instagram, Pérez dizia que as autoridades queriam matá-lo, apesar de estar disposto a se entregar. “Estão disparando contra nós com lança-granadas e atiradores de elite. Dissemos que nos entregaríamos, mas não querem deixar que nos entreguemos, querem nos matar”, disse o ex-policial em um vídeo em que aparece com o rosto ensanguentado. 

 

 

Em discurso na segunda-feira à noite, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, elogiou a ação das forças policiais no esconderijo do grupo de Pérez, em El Junquito, Caracas. “Dois jovens policiais morreram, baleados na cabeça, e a polícia nacional bolivariana agiu de maneira irrepreensível”, afirmou Maduro. “Os presos revelaram planos horripilantes. Eles pretendiam colocar um carro-bomba na frente de uma embaixada de um país amado e depois receber proteção na Colômbia”, afirmou Maduro.

Pérez, piloto da unidade de elite das forças de segurança venezuelanas, tornou-se conhecido no ano passado, quando roubou um helicóptero para sobrevoar a sede do Ministério do Interior e disparar 15 vezes contra uma festa com 80 convidados. 

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Em seguida, ele lançou quatro granadas contra o Tribunal Supremo de Justiça. Na sexta-feira, Pérez foi entrevistado pela CNN En Español. “A única ajuda monetária que temos é de parentes e amigos. Se Maduro fala (da intervenção) de Miami, fala de colaboradores no exílio graças à perseguição criminosa do regime.”

Grupos de direitos humanos e a oposição da Venezuela criticaram ontem a operação. O ex-prefeito de Caracas e líder opositor em exílio, Antonio Ledezma, disse que a execução de Pérez foi realizada sob ordens expressas de Maduro. “Óscar Pérez foi executado por ordens de Maduro. Esse capítulo se soma ao expediente que circula no Tribunal de Haia, esperando uma sentença contra os que aplicam a pena de morte. Peço ao povo que, em homenagem a estes mártires, não fuja da luta.” 

Histórico

Em dezembro, foi atribuída a Pérez a responsabilidade pela chamada “Operação Gênesis”, que acabou na invasão de uma base militar em Laguneta de La Montaña, um povoado do Estado de Miranda, de onde 26 fuzis Kalashnikov e 3 pistolas foram roubados. Maduro acusou os EUA de estarem por trás do ataque e pediu às Força Armadas Bolivarianas “tolerância zero com os grupos terroristas”.

Pérez, que desde então publicou vários vídeos nos quais diz lutar contra a “narcoditadura” e “tirania” na Venezuela, é acusado de ter realizado um “ataque terrorista” pelo governo e tinha uma ordem de captura emitida pela Interpol. “Quero pedir aos venezuelanos que não desistam! Lutem, saiam às ruas! É hora de sermos livres. E só vocês têm o poder agora”, afirmou o ex-policial na internet.

Antes do cerco chavista, Pérez enviou uma mensagem aos seus três filhos em que disse que suas ações contra o governo foram tomadas por eles e pelas outras crianças da Venezuela que estão sofrendo com a severa crise econômica, política e social.

Antes de seu ataque, Pérez já era conhecido pelos venezuelanos, pois estrelou o filme Morte Suspensa, de 2015, um longa-metragem de ação que conta a história de um famoso sequestro de um comerciante português em Caracas, ocorrido em 2012. / COM AFP e EFE

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