Polícia de Chincha teme que a situação saia do controle

Desesperados pela falta de alimentos e de serviços públicos e por terem de dormir ao relento, os moradores de Chincha, 200 quilômetros ao sul de Lima, perguntavam quando chegariam as toneladas de ajuda estrangeira anunciadas. Segundo o chefe da polícia local, Juan Fernando Vicuña, o desespero é tão grande que duas lojas já haviam sido saqueadas: "As pessoas estão furiosas, não têm água nem luz e tememos que a qualquer momento a situação saia do controle." Na porta do cemitério de Chincha, dezenas de moradores pediam túmulos grátis para enterrar seus parentes, que estão entre os 74 mortos na cidade, conhecida por abrigar a maior população negra do país.A polícia intensificou a busca dos presos que fugiram quarta-feira do presídio Tambo de Mora, em Chincha, após um muro desabar com o terremoto. "A polícia tem ordem de recapturar os deliqüentes perigosos vivos ou mortos", disse o general Eduardo Montero. Até ontem, dos 683 foragidos, só 56 tinham sido recapturados e levados para a vizinha cidade de Cañete. Em Ica, capital da região mais afetada, os moradores passaram a noite ao relento e amedrontados com os tremores secundários sentidos na cidade de 320 mil habitantes, 300 quilômetros ao sul de Lima. "Estamos dormindo com um olho aberto por causa dos tremores e dos roubos", disse Adelaida Aquije, acampada numa praça com seus dois filhos.

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