Polícia de Hong Kong desmonta barricadas de manifestantes e libera via principal

Polícia de Hong Kong desmonta barricadas de manifestantes e libera via principal

Em demonstração de resistência pró-democracia, alguns locais de concentração de ativistas permaneceram intactos

DONNY KWOK E FARAH MASTER, REUTERS

14 de outubro de 2014 | 08h59

Centenas de policiais de Hong Kong usaram marretas e serras elétricas nesta terça-feira para desmontar barricadas do movimento pró-democracia perto de repartições do governo e de áreas do centro financeiro, desimpedindo uma das principais ruas da cidade pela primeira vez desde o início dos protestos duas semanas atrás.

Em um revés para os manifestantes, o trânsito voltou a fluir livremente pela via Queensway após a retirada das barricadas e acampamentos. Mas outros locais de concentração de protestos permaneceram intactos nos bairros de Admiralty e Mong Kok, numa demonstração de resistência dos manifestantes pró-democracia.

"Vamos reconstruí-las depois que a polícias as retirar", disse o manifestante Bruce Sze. "Não vamos confrontar a polícia fisicamente."

Diferentemente de segunda-feira, quando embates entre grupos contrários aos protestos e ativistas pró-democracia irromperam após a retirada de barricadas pela polícia, a operação desta terça não resultou em confrontos.

No entanto, as tensões devem esquentar na quarta-feira, quando motoristas de táxi, que alegam uma perda de cerca de 50 por cento em suas corridas, ameaçaram remover as barricadas caso os manifestantes não as tenham retirado até então. Motoristas de caminhões também fizeram ameaças semelhantes.

Taxistas e caminhoneiros estão entre aqueles que tentaram desmontar as barricadas na segunda, quando centenas de pessoas, algumas usando máscaras cirúrgicas e carregando pés-de-cabra e ferramentas de corte, destruíram barricadas e entraram em confronto com manifestantes.

"A reabertura (da Queensway) é melhor do que nada, já que permite mais opções aos motoristas. Mas ainda não é bom o bastante e o trânsito vai continuar muito pesado", disse o taxista Li Hung-on, de 53 anos.

Os manifestantes, a maioria estudantes, demandam uma democracia plena para a antiga colônia britânica, mas o impasse de duas semanas imposto por eles tem causado caos no trânsito e alimentado certa frustração no centro financeiro, esvaziando assim parte do apoio da população.

(Reportagem adicional de Bobby Yip, Carlos Barria e Clare Baldwin)

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