Ronen Zvulun / Reuters
Ronen Zvulun / Reuters

Polícia de Israel pede novo indiciamento de Netanyahu por corrupção e fraude

Premiê é suspeito de ter favorecido um grupo de telecomunicações, ao qual teria pago milhões de dólares em troca de uma cobertura noticiosa favorável

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2018 | 14h46
Atualizado 02 Dezembro 2018 | 19h05

JERUSALÉM - A polícia israelense disse neste domingo, 2, que encontrou evidências suficientes para apresentar acusações por suborno e fraude contra o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e sua mulher, Sarah, em um terceiro caso de corrupção contra o líder. Netanyahu é suspeito de ter favorecido o grupo de telecomunicações Bezeq Telecom, ao qual teria pago milhões de dólares em troca de uma cobertura noticiosa favorável no Walla, um site do grupo.

A procuradoria-geral decidirá agora se vai indiciá-lo por suborno, fraude e quebra de confiança. No caso de Sarah, a polícia recomenda a acusação de "obstrução" da Justiça. Se indiciado, o premiê enfrentará um dos maiores desafios a sua sobrevivência política. Apesar de seu domínio na política israelense, a mais nova recomendação da polícia surge logo após a maioria de sua coalizão conservadora ser reduzida a apenas uma cadeira no Parlamento.

Em um comunicado, o primeiro-ministro rejeitou as conclusões da polícia. "Estou certo de que, neste caso, as autoridades competentes, depois de terem examinado a questão, chegarão à mesma conclusão: que não houve nada, porque não há nada", escreveu Netanyahu.

Entre 2012 e 2017, o premiê e seu entorno "se intrometeram no conteúdo publicado pelo site Walla e tentaram influenciar a nomeação de pessoas", explicou a polícia em uma nota. Seu objetivo era a publicação de "artigos e fotos positivas e suprimir o conteúdo crítico ao primeiro-ministro e à sua família", aponta o comunicado.

Na declaração conjunta com a Autoridade de Valores Mobiliários de Israel, a polícia disse que também encontrou evidências suficientes para acusar Shaul Elovitch, um amigo da família de Netanyahu, por suborno.

À época, Elovitch era presidente do conselho e acionista majoritário da Bezeq. As autoridades afirmaram que ainda há evidências para indiciar a então presidente da companhia, Stella Handler, por fraude. Elovitch e Stella negam as irregularidades. Os dois foram presos brevemente mais cedo neste ano e renunciaram de seus cargos na Bezeq.

Apoio e oposição

Neste domingo, durante a reunião semanal do governo, os ministros do Likud (direita), o partido de Netanyahu, expressaram seu apoio ao chefe de governo. "Muito obrigado, mas vocês devem levar este assunto mais a sério do que eu", respondeu ele.

Na oposição, o líder dos trabalhistas, Avi Gabbay, pediu a renúncia de Netanyahu. "Netanyahu deve sair antes que destrua as agências que aplicam a lei para salvar sua própria pele. O povo judeu merece uma liderança limpa. Eleições agora!", exigiu no Twitter a deputada Tzipi Livni, dirigente de Campo Sionista, a principal força de oposição no Knesset (Parlamento israelense).

"Netanyahu se transformou em um peso para Israel. Deve renunciar. Um primeiro-ministro com tantos casos de corrupção em seu entorno não pode continuar no cargo e deve renunciar. Uma pessoa movida por uma obsessão mórbida em relação ao que é dito sobre ela nos veículos de imprensa não pode dirigir o Estado de Israel", criticou o secretário-geral do partido trabalhista, Avi Gabai, na mesma rede social.

Por sua vez, a líder do partido de esquerda Meretz, Tamar Zandberg, pediu no Twitter para "organizar as eleições agora" porque, segundo ela, o primeiro-ministro é acusado do "crime mais grave da lei israelense".

O governo de Netanyahu tem uma maioria estreita de um assento no Parlamento (61 deputados de um total de 120), após a renúncia no dia 14 de novembro do ministro da Defesa, o nacionalista Avigdor Lieberman, e da posterior retirada da coalizão de seu partido Beitenu.

Netanyahu também está prestes a quebrar o recorde de premiê por mais tempo no cargo, ao qual chegou em 2009, e continua popular contra uma oposição que parece não ter capacidade de derrotá-lo nas urnas. As eleições estão previstas para novembro de 2019, mas podem ser realizadas com antecedência.

Outros casos

Em fevereiro, a polícia já havia recomendado o indiciamento do primeiro-ministro em outros dois casos. No primeiro, suspeita-se que Netanyahu e membros de sua família tenham recebido até 1 milhão de shekel (US$ 285 mil), além de charutos, garrafas de champanhe e joias de pessoas ricas em troca de favores financeiros ou pessoais.

No segundo caso, os investigadores acreditam que o primeiro-ministro tentou fechar um acordo com o proprietário do jornal Yediot Aharonot, um dos mais importantes de Israel, para obter uma cobertura mais favorável à sua administração. / REUTERS, AFP e EFE

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