Polícia de Karachi é autorizada a atirar em suspeitos

Forças de segurança receberam ordens hoje para atirar em qualquer suspeito na maior cidade do Paquistão, Karachi. Quatro dias consecutivos de violência no local deixaram pelo menos 71 mortos e fizeram com que líderes políticos convocassem um dia de luto que fechou o comércio e afastou os carros das ruas.

AE, Agência Estado

08 de julho de 2011 | 17h48

A onda de violência desta semana em Karachi está entre as piores deste ano na cidade que é berço de tensões étnicas, sectárias e políticas. Os episódios ocorreram poucos dias depois de o partido político mais poderoso da cidade, o Movimento Muttahida Qaumi, ter anunciado sua saída da coalizão de governo federal para se aliar à oposição.

Mudanças políticas como essa costumam ser acompanhadas por violência em Karachi, embora o Movimento Muttahida Qaumi e outros partidos ativos na cidade neguem participação com a violência. Pelo menos 34 pessoas morreram somente ontem, quando homens armados metralharam um ônibus e realizaram vários disparos nas proximidades.

A ordem de atirar contra suspeitos reflete o desespero das autoridades em controlar a violência. Sharjeel Memon, ministro da Informação da província de Sindh, disse que a ordem tem como alvo "qualquer meliante armado" visto pela polícia, unidades militares ou outras tropas de segurança.

Karachi é uma cidade portuária de 18 milhões de habitantes na costa do Mar da Arábia. Segundo o Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, 1.138 pessoas foram assassinadas em Karachi nos primeiros seis meses do ano. Dessas, 490 foram vítimas dos chamados assassinatos seletivos, que geralmente estão ligados a rivalidades políticas, étnicas e sectárias.

O Movimento Muttahida Qaumi convocou hoje um "dia de luto", o que levou à paralisação da cidade. Ruas e áreas comerciais estavam em grande parte desertas. Apesar disso, tiros ocasionais podiam ser ouvidos em algumas áreas e o chefe de polícia disse que mais 18 pessoas foram mortas. As informações são da Associated Press.

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