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Polícia de Londres liberta 3 mulheres mantidas em cativeiro por 30 anos

Vítimas foram libertadas em 25 de outubro, após denunciarem crime a ONG de defesa dos direitos humanos que coordenou resgate com as autoridades policiais

O Estado de S. Paulo,

21 de novembro de 2013 | 22h56

LONDRES - A polícia britânica e uma ONG que defende os direitos humanos anunciaram na quinta-feira, 21, a libertação de três mulheres que foram mantidas - segundo as autoridades - como escravas domésticas por 30 anos em uma casa de Londres. O caso veio a público após um casal ter sido preso durante uma investigação de escravidão e servidão. Acredita-se que uma das vítimas tenha passado toda a vida em poder dos captores.

Policiais de uma unidade que coíbe o tráfico de pessoas prenderam um homem e uma mulher, ambos de 67 anos, em uma residência do sul da capital britânica. As prisões ocorreram após uma mulher malaia, de 69 anos, uma irlandesa, de 57, e uma britânica, de 30, terem sido libertadas do local.

As autoridades afirmaram que as libertações ocorreram no dia 25 de outubro. "Todas as três mulheres, que ficaram altamente traumatizadas, foram levadas para um local seguro, onde permanecem", declarou a polícia em comunicado.

A operação para libertar as vítimas começou em outubro, quando a ONG Freedom Charity - que denuncia abusos infantis, casamentos forçados e assassinatos em nome da honra - relatou ter recebido um telefonema de uma das mulheres que afirmava ser mantida em cativeiro por mais de 30 anos. A investigação revelou a localização da casa, no bairro de Lambeth, ao sul do Rio Tâmisa. Com o auxílio de negociações conduzidas pela entidade, as três foram libertadas.

"Elas eram basicamente tratadas como escravas", disse Aneeta Prem, fundadora da Freedom Charity, à BBC. À Sky News, a ativista afirmou que os dois presos eram considerados "chefes de família" e as vítimas sentiam-se "absolutamente aterrorizadas". A polícia disse que não há indícios de que as vítimas sejam parentes ou que tenham sofrido abusos sexuais. Não ficou claro se a mulher de 30 anos nasceu em cativeiro - Aneeta afirmou que a britânica foi mantida no local "desde criança".

"Em uma capital tão movimentada, frequentemente, não olhamos para os nossos vizinhos. Estamos diante de pessoas que foram mantidas contra sua vontade em uma rua residencial. As pessoas se chocarão em saber que isso pode acontecer na Grã-Bretanha - e em uma cidade grande como Londres", disse a ativista.

Segundo a polícia, após assistir a um documentário sobre casamentos forçados, que descrevia o trabalho da Freedom Charity, a vítima irlandesa procurou a ONG. "Elas estavam tentando havia vários anos encontrar uma maneira de se libertar", disse Aneeta, explicando que demorou várias semanas para conquistar a confiança das vítimas. "Tinha de ser combinado quando elas poderiam fazer as ligações e isso tinha de ser feito muito secretamente, porque elas se sentiam em extremo perigo", disse. A ativista afirmou que, após muitas ligações, as três mulheres deixaram o cativeiro pela porta da frente, com a polícia de prontidão nas imediações.

Segundo Aneeta, apesar do que passaram, as mulheres não apresentavam problemas físicos. "A vida delas era amplamente controlada. Durante a maior parte do tempo em que passaram em cativeiro, elas foram mantidas na propriedade", disse o inspetor Kevin Hyland, chefe da unidade de tráfico humano da polícia londrina. Ele afirmou que houve um certo atraso na prisão dos acusados, nenhum deles britânico, em razão da investigação. "Uma vez que estabelecemos os fatos, fizemos as prisões." / REUTERS e AP

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