AFP PHOTO / Paul ELLIS
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Polícia britânica deixa de compartilhar com EUA informações sobre atentado

Autoridades do Reino Unido afirmaram que a divulgação de dados para a imprensa americana colocaram em risco a investigação sobre o ataque em Manchester; NYT, que divulgou fotos do local, diz que faz cobertura 'responsável'

O Estado de S.Paulo

25 Maio 2017 | 04h47
Atualizado 25 Maio 2017 | 12h48

LONDRES - A polícia britânica deixou de compartilhar informações sobre o ataque em Manchester com os Estados Unidos, disse uma fonte das forças antiterrorismo do Reino Unido nesta quinta-feira, 25, após autoridades afirmarem que o vazamento de informações para a imprensa americana colocaram a investigação em risco.

A ministra do Interior da Grã-Bretanha, Amber Rudd, qualificou de "irritante" a divulgação de informações. A fonte da unidade de polícia antiterrorista disse que os investigadores dependem da confiança dos parceiros no setor de segurança pelo redor do mundo e destacou: "Quando a confiança é rompida, mina as relações e mina nossa investigação".

A polícia está procurando um suspeito que fabricaria bombas após o britânico Salman Abedi detonar um dispositivo sofisticado em uma casa de shows cheia de crianças e adolescentes na noite de segunda-feira, matando 22 pessoas e deixando 64 feridos ao fim da apresentação da cantora americana Ariana Grande.

A decisão de parar de compartilhar informações da polícia com agências americanas é um passo inesperado, já que o Reino Unido vê os EUA como seu aliado mais próximo em segurança e inteligência.

"Será assim até o momento em que tivermos garantias de que não haverá nenhuma outra divulgação não autorizada", disse a fonte das forças antiterrorismo, sob condição de anonimato.

A divulgação de dados e imagens feita pelo jornal The New York Times sobre o ataque provocou um grande mal-estar entre as autoridades britânicas e americanas. A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, vai se queixar nesta quinta-feira ao presidente dos EUA, Donald Trump, dos vazamentos, durante o encontro na cúpula da Otan, em Bruxelas.

As imagens foram divulgadas pelo jornal depois da revelação a jornalistas americanos sobre o fato, além da identidade do suicida. Eles também se anteciparam às autoridades britânicas ao revelar que se tratava de um atentado terrorista, algo que ainda não havia sido confirmado pela polícia do Reino Unido.

Resposta. O jornal americano The New York Times defendeu nesta quinta-feira, 25, sua decisão de publicar fotografias do local do atentado em Manchester mostrando evidências coletadas pelas autoridades dizendo que sua reportagem sobre o ataque foi feita de forma responsável.

Em um nota, o diário afirmou que "as imagens e informações apresentadas não eram impactantes graficamente nem desrespeitosas com as vítimas". O NYT disse ainda que sua cobertura do atentado "tem sido tanto abrangente quanto responsável".

"Nos acompanhamos histórias sobre terrorismo de todos os ângulos. Não apenas histórias sobre as vítimas, mas também sobre como os grupos terroristas funcionam, suas fontes de financiamento e como eles recrutam. Atos de terrorismo têm um impacto tremendo em como vivemos nossas vidas, em como somos governados e em como interagimos com as pessoas, comunidades e nações", disse o jornal. / REUTERS, EFE e AFP

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