Oli Scarff/AFP Photo
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Polícia de Manchester diz ter desmantelado maior parte de célula terrorista

'Estamos satisfeitos em ter capturado alguns dos protagonistas que nos preocupavam, mas ainda há mais a fazer', diz porta-voz

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2017 | 13h49

MANCHESTER, REINO UNIDO - A polícia britânica já deteve uma "boa parte" da célula extremista islâmica responsável pelo atentado de Manchester. As investigações tiveram progressos imensos, mas a busca por pistas importantes continuam, segundo o responsável pelo combate ao terrorismo, Mark Rowley.

"Estamos satisfeitos em ter capturado alguns dos protagonistas que nos preocupavam, mas ainda há mais a fazer", acrescentou o oficial da polícia. Até o momento, oito pessoas foram detidas como parte da investigação.

Na madrugada de sexta-feira, outro suspeito foi detido na investigação do atentado. Entre os presos está irmão do autor do ataque, Salman Abedi, de 22 anos. O pai e outro irmão de Abedi estão detidos na Líbia. Os presos têm entre 18 e 38 anos, e foram detidos em Manchester e seus subúrbios, com exceção de um, capturado no centro da Inglaterra.

Aos poucos, a polícia reconstitui o itinerário de Salman Abedi até sua morte no atentado da Manchester Arena.

Nascido em Manchester, filho de pais líbios que fugiram do regime de Muamar Kadafi, Abedi viajou à Líbia e retornou ao Reino Unido poucos dias antes do ataque. 

No caminho de volta a Manchester a partir da Líbia, Abedi fez escalas em Istambul e Düsseldorf, sem abandonar as áreas de trânsito dos dois aeroportos. Os voos diretos entre a Turquia e o Reino Unido são particularmente vigiados pela possibilidade de transporte de combatentes da Síria e do Iraque.

De acordo com os jornais The Sun e The Times, Abedi passou os últimos dias antes do atentado em um apartamento alugado no centro de Manchester, perto da estação Piccadilly e da Manchester Arena, onde pode ter fabricado a bomba.

Cautela. Manchester manteve para esta sexta-feira o Great City Games, uma competição de atletismo no centro da cidade. O alerta máximo no país provocou a presença pela primeira vez de policiais armados nos trens e a suspensão das viagens escolares a Londres, além de outras medidas de vigilância para um fim de semana prolongado. 

Segunda-feira é feriado na Inglaterra -, com grandes eventos e aglomerações previstos, como a final da Copa da Inglaterra, sábado, entre Chelsea e Arsenal.

As autoridades não consideram desmantelada a célula que auxiliou Abedi no atentado e, segundo a imprensa britânica, as autoridades pediram aos hospitais que permaneçam em alerta para a possibilidade de novos ataques.

A empresa que promoveria uma evento com o português Cristiano Ronaldo no sábado em Londres adiou o mesmo, enquanto a Rússia recomendou que seus cidadãos evitem as viagens ao Reino Unido pelo nível de ameaça terrorista no país, após o atentado que deixou 22 mortos e 75 feridos em Manchester.

Eleições. A menos de duas semanas das eleições de 8 de junho, uma pesquisa do instituto YouGov para o jornal The Times mostra uma vantagem de apenas de 5% nas intenções de voto dos conservadores (43%-38%) em relação aos trabalhistas liderados por Jeremy Corbyn, contra 20% no início da campanha.

A pesquisa foi realizada na quarta-feira e quinta-feira desta semana, dominada pelo noticiário do atentado que deixou 22 mortos e 75 feridos na Manchester Arena.

Em um discurso nesta sexta-feira, Corbyn criticou os cortes orçamentários na área de segurança e disse que participar em guerras no exterior aumenta a possibilidade de atentados em casa. / AFP

 

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