Peter Byrne/PA via AP
Peter Byrne/PA via AP

Explosão em show de cantora pop deixa 22 mortos e 59 feridos em Manchester

Segundo a polícia britânica, detonação ocorreu logo após a apresentação da cantora americana Ariana Grande, em turnê programada para chegar ao Brasil ainda este ano; episódio é tratado como atentado pelos investigadores

O Estado de S.Paulo

22 Maio 2017 | 19h39
Atualizado 23 Maio 2017 | 09h24

MANCHESTER, REINO UNIDO - A polícia britânica afirmou que pelo menos 22 fãs da cantora americana Ariana Grande morreram nesta segunda-feira após uma explosão na Manchester Arena, na cidade de Manchester, no norte do Reino Unido. A hipótese mais forte para os investigadores era a de um atentado. Pelo menos 59 espectadores ficaram feridos.

Duas fontes de inteligência do governo americano disseram que trabalham com a possibilidade de um homem-bomba ter sido o responsável pela ação. Após a conclusão da apresentação da cantora, as pessoas que estavam na arena disseram ter ouvido ao menos uma forte explosão, seguida de fumaça. Houve pânico, muitos saíram correndo e parte das vítimas pode ter se machucado ao ser pisoteada durante a tentativa de fuga do local. Segundo as autoridades britânicas, a explosão ocorreu em uma área externa da arena, não na plateia principal.

A polícia de Manchester isolou a arena e a estação de metrô próxima ao local. Segundo as autoridades, a primeira preocupação era garantir que não houvesse outras ameaças. Dezenas de ambulâncias e demais serviços de emergência se dirigiram à arena para socorrer as vítimas. O público do show era composto em sua maioria por adolescentes. 

“Serviços de emergência estão atendendo a um grave incidente na Manchester Arena. Evitem a área e aguardem mais informações”, disse a polícia de Manchester inicialmente em sua conta no Twitter. 

Além da estação de metrô de Victoria, a Catedral de Manchester também estava sendo vigiada pela polícia. Helicópteros sobrevoavam a cidade. Um esquadrão antibomba foi deslocado para o local do show. No começo da madrugada, no horário local, a polícia realizou uma explosão controlada de um segundo objeto suspeito na região – soube-se depois que era uma sacola de roupas.

O porta-voz da prefeitura de Manchester, Pat Carney, disse que a Manchester Arena era um “alvo fácil”. “No mundo em que nós vivemos, a polícia e a prefeitura têm procedimentos de emergência e precisamos colocá-los em prática o tempo todo”, disse. 

Em uma mensagem enviada pelo aplicativo Telegram, canal de comunicação utilizado pelo Estado Islâmico, o grupo jihadista celebrou o ataque, mas não reivindicou sua autoria.

Pânico. Entre os fãs da cantora americana, o pânico era o sentimento mais marcante. “Estávamos saindo pela porta principal da arena quando ouvimos uma grande explosão e todo mundo começou a gritar”, disse Catherine Macfarlane à agência Reuters. “Foi muito forte, eu consegui sentir a força da explosão no peito. Aí se formou um caos e todo mundo começou a correr e gritar para sair de lá”, acrescentou.

Outra testemunha citada pelo jornal The Telegraph, Majid Khan, de 22 anos, afirmou: “Eu e a minha irmã, como muitas outras pessoas, tínhamos ido ao show da Ariana Grande e estávamos saindo do local quando, aproximadamente às 22h45 (18h45 em Brasília), ouvimos uma explosão que parecia uma bomba e fez toda a gente entrar em pânico e tentar sair do recinto”.  

A salvo. Um porta-voz de Ariana Grande disse que ela não se feriu. “Estamos investigando o que aconteceu”, disse ao New York Times o representante da americana, Joseph Carozza. O show fazia parte da turnê Dangerous Woman, que divulga o terceiro álbum da cantora de 23 anos. Pelo Twitter, ela lamentou o ataque. "Arrasada. Do fundo do meu coração, me desculpem. Não tenho palavras."

Vídeos publicados em redes sociais mostravam parte do público correndo assustada em meio a uma chuva de balões cor de rosa. Segundo relato dos primeiros jornalistas que chegaram ao local, havia adolescentes com sangue nas roupas e crianças deixando a arena em estado de choque. 

Inaugurada em 1995, a Manchester Arena abriga shows, partidas de hóquei e basquete e tem capacidade para 21 mil pessoas. É uma das maiores da Europa e a quarta mais movimentada do mundo.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, condenou o ataque. “Trabalhamos para esclarecer os detalhes do que a polícia classificou como um assustador atentado terrorista”, disse a premiê. “Nossos pensamentos estão com as vítimas e suas famílias.” Criticada por opositores por demorar a se manifestar, ela suspendeu a campanha para a eleição do dia 8. / REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.