Martin Speechley/NYPD via AP
Martin Speechley/NYPD via AP

Atropelamento em ciclovia tratado como ato terrorista mata ao menos oito em Nova York

Suspeito foi baleado e está sob custódia da polícia; testemunhas disseram que ele teria gritado 'Alá é o maior' em árabe

Cláudia Trevisan, Correspondente / Washington e Ricardo Leopoldo, Correspondente / Nova York, O Estado de S.Paulo

31 Outubro 2017 | 17h41
Atualizado 31 Outubro 2017 | 22h41

Pelo menos 8 pessoas morreram e 11 ficaram feridas quando um motorista em uma caminhonete avançou nesta terça-feira, 31, sobre ciclistas e pedestres no sul de Manhattan, em Nova York, no primeiro atentado terrorista com mortes na cidade desde o 11 de setembro de 2001. Segundo a polícia, o motorista gritou Allahu akbar (Deus é o maior) quando saiu do veículo carregando duas armas sem munição real.

Relembre: Europa teve 8 atentados com veículo em um ano

Atingido por um oficial no abdômen, ele foi preso e levado a um hospital. A polícia não revelou a identidade do autor, apenas sua idade, 29 anos. De acordo com a NBC News, ele é originário do Usbequistão e imigrou para os EUA em 2010. Mas a rede de TV ABC disse que ele se chama Sayfullo Saipov e é da cidade de Tampa, na Flórida.

O atentado ocorreu pouco depois das 15 horas (17 horas em Brasília), quando o motorista invadiu com a caminhonete uma ciclovia ao lado do Rio Hudson. O trajetória foi interrompida quando o veículo se chocou com um ônibus escolar, a quatro quadras do World Trade Center. A região do ataque foi isolada por um cordão a cerca de 100 metros do local da ação. Havia pelo menos 200 policiais no entorno. Cães farejadores inspecionavam carros parados e, no fim da tarde, 2 helicópteros rondavam a região.

“Há uma sensação de choque”, disse ao Estadão/Broadcast a enfermeira Patricia Logan, que é natural da Flórida e estava em Nova York para uma entrevista de emprego. Ela contou que estava saindo do Memorial do 11 de Setembro quando viu a aglomeração. “Eu pensei que era alguma festividade de Halloween. Mas não, é tudo real. Infelizmente, esses fatos assustam porque nos EUA eles vêm se repetindo em diversas cidades.”

O governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, descreveu o motorista como um “lobo solitário”. Segundo ele, “não há nada que sugira uma ampla conspiração”. 

O presidente Donald Trump reagiu com uma mensagem no Twitter: “Em NYC, parece haver outro ataque por uma pessoa doente e desequilibrada. A polícia está seguindo isso de perto. NÃO NOS EUA!”

Pouco depois, o republicano escreveu uma segunda mensagem, se referindo ao grupo terrorista Estado Islâmico e à campanha liderada pelos EUA no Oriente Médio contra os jihadistas. "Nós não podemos permitir ao EI retornar ou entrar em nosso país após o termos derrotado no Oriente Médio e em outros lugares. Basta!"

Uma testemunha do ocorrido contou à rede de TV ABC que viu um carro branco entrar em alta velocidade pela ciclovia da West Side e atingir várias pessoas. Ele também disse ter ouvido tiros e visto corpos no chão.  Uma segunda testemunha disse à Associated Press também ter visto o atropelamento. 

 


Uma grande parte da avenida foi fechada para investigações. Centenas de policiais foram deslocados para o local, incluindo um esquadrão antibomba, mas a polícia disse que não procura outros suspeitos. 

Polícia procura suspeito de matar uma pessoa perto da Universidade de Utah

O EI estimula que seus seguidores atuem como lobos solitários com os instrumentos que tiverem à sua disposição. “Esmague sua cabeça com uma rocha, mate com facadas ou avance sobre ele com seu carro”, disse o ex-porta-voz do EI, Abu Mohammad al-Adnani, em mensagem divulgada em 2014.

Em setembro do ano passado, uma bomba explodiu no bairro de Chelsea, deixando 31 feridos. Houve outras tentativas de explosão de artefatos na área metropolitana de Nova York. O suspeito foi identificado como Ahamad Khan Rahimi, que foi radicalizado com propaganda jihadista online.

Vítimas de Las Vegas não conseguem pagar conta da internação

“Esse foi um ato de terror, um ato particularmente covarde de terror”, disse o prefeito Bill de Blasio. O governador do Estado de Nova York, Andrew Cuomo, descreveu o motorista como um “lobo solitário”. Segundo ele, não havia nada que sugerisse uma ampla conspiração. Esse é o primeiro ataque com veículos nos EUA a deixar vítimas fatais. Ações do tipo se multiplicaram a partir de meados do ano passado, quando um tunisiano usou um caminhão para matar 84 pessoas em Nice, na França, durante a celebração de 14 de julho.

Os EUA registraram dois casos antes, em 2006 e novembro de 2016, mas eles não deixaram mortos. O último grande atentado com veículo ocorreu em agosto na Espanha, quando uma van avançou sobre uma multidão em uma área turística de Barcelona. Treze pessoas morreram e 100 ficaram feridas.

O ataque aconteceu poucas horas antes de nova-iorquinos ocuparem as ruas da cidade na tradicional celebração de Halloween. De Blasio e Cuomo defenderam que os moradores da cidade não mudem os seus hábitos. “Nós fomos testados antes como cidade muito perto de onde ocorreu a tragédia de hoje”, disse De Blasio. “Como nova-iorquinos, nós não desistimos diante desse tipo de ações. Nós vamos responder como sempre. Nós não vamos nos intimidar”, afirmou o prefeito. “Para os nova-iorquinos: sejam nova-iorquinos, vivam suas vidas e não deixem que eles nos mudem ou nos detenham”, ressaltou Cuomo. 

A população seguiu a recomendação. No sul Manhattan, sob presença policial ainda mais intensa e sob o foco da atenção internacional, milhares foram à parada do Halloween no bairro do Village, uma tradição desde 1973. / COLABOROU LÚCIA GUIMARÃES

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.