Polícia de NY é investigada por matar negro com 50 tiros

O episódio teve início com uma operação à paisana envolvendo policiais desarmados que patrulhavam uma casa noturna, tentado se misturar com os freqüentadores. Mas ao final da noite, uma salva de 50 tiros da polícia matou um homem que havia comemorado sua despedida de solteiro, feriu dois de seus amigos e deu início a um sério debate sobre as táticas da polícia e poder de fogo. O prefeito Michael Bloomberg disse na segunda-feira que a resposta da polícia parecia "inaceitável" e "inexplicável" para ele, mas estava seguro em seu apoio ao comissário de polícia Raymond Kelly, que tem sido denunciado por ativistas desde o episódio. O promotor do distrito de Queens Richard A. Brown disse nesta segunda-feira que seu escritório estava investigando os tiros de sábado,e os resultados serão apresentados a um júri. "Serei guiado apenas pelas leis e pelos fatos", disse Brown em declaração. "Não irei tirar conclusões até que a investigação termine. Não há pressa para um julgamento." Sean Bell, o noivo, de 23 anos, foi assassinado e dois de seus amigos ficaram feridos após a sua despedida de solteiro em um clube de strip tease antes de seu casamento. Os três estavam desarmados. A operação disfarçada que começou à uma hora de sábado no clube de strip tease Kalua Cabaret era parte de uma operação por toda a cidade, iniciada com o caso de um adolescente de Nova Jersey que foi seqüestrado, estuprado e morto após uma noite de festa em um clube noturno de Manhattan. A polícia afirmou ter recebido uma série de queixas sobre prostituição e tráfico de drogas no Kalua Cabaret, no Queens, antes de enviar dois detetives disfarçados, entraram sem suas armas devido à revista na porta. Os detetives aparentemente passaram o tempo tomando drinks e se misturando na multidão. Críticos têm questionado se policiais têm permissão para ingerir álcool, mas autoridades disseram que os policiais não beberam muito. "Nós os permitimos dois drinks e não mais", disse Kelly. A situação começou a mudar quando um dos policiais alertou a equipe de apoio do lado de fora de que um homem na casa poderia estar armado. Durante uma discussão entre clientes, a polícia afirma ter ouvido um dos participantes da despedida de solteiro dizer "ei, pegue minha arma". Um dos detetives disfarçados respondeu buscando sua arma e confrontando Bell e seus amigos quando entravam no carro. Kelly sugeriu que a quebra do disfarce não foi a atitude adequada do policial, que deveria ter confiado a prisão aos outros policiais do apoio. "Ele ainda estava agindo disfarçado quando seguiu o grupo pela rua e aparentemente fez uso da força, o que é incomum, disse Kelly. Policiais da União insistem que o detetive mostrou seu distintivo, se identificou e ordenou que os homens parassem o carro, dirigido por Bell, que acelerou e o atropelou. O carro então beteu em uma van não identificada da polícia, deu ré e bateu na van novamente antes do início dos tiros. As batidas - somadas ao medo de que um dos homens tinha uma arma - parece ser o que despertou a salva de balas de cinco policiais. Não ficou claro se os homens no carro sabiam que estavam lidando com um policial. Amigos e família especulam que Bell se assustou ao ficar sob a mira de uma arma, provavelmente batendo o carro por pânico.

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