Polícia de Roma é chamada para reprimir ataques a refugiados

Polícia de Roma é chamada para reprimir ataques a refugiados

Tropas de choque foram chamadas para evitar que moradores de um bairro da periferia atacassem um centro de auxílio na periferia

O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2014 | 18h29

ROMA - Tropas de choque foram chamadas nesta quinta-feira, 13, para evitar que moradores de um bairro da periferia de Roma atacassem refugiados que vivem em um centro de auxílio no mais recente incidente anti-imigrantes que agita a Itália.

O bairro operário de Tor Sapienza, localizado em um bairro pobre no leste da capital, foi palco durante vários dias e noites de violência contra refugiados por residentes que acusam os estrangeiros de crimes. Os moradores alegam que não são racistas, mas dizem estar cansados do que chamam de anos de negligência das autoridades do governo que permitiram a ciganos, migrantes e mendigos a se instalar nas periferias de Roma sem fornecer os serviços adequados.

O centro de Tor Sapienza tornou-se o mais recente foco de ressentimento que tem se formado ao longo dos anos entre os italianos devido à queda dos seus rendimentos e aumento do desemprego. A forte presença policial não conseguiu acalmar os manifestantes, que acusam os imigrantes de tráfico de drogas e prostituição.

O prefeito de Roma ordenou ontem a evacuação de 45 crianças do centro para imigrantes. A violência irrompeu na segunda-feira à noite, quando os manifestantes arremessaram pedras no prédio e gritaram insultos contra os imigrantes.

O Alto-Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) condenou a violência, dizendo que os refugiados e menores desacompanhados que fugiam do conflito e da guerra mereciam proteção, respeito e ajuda para se integrar, não atos de violência e intolerância. Em uma declaração, o Acnur condenou extremistas que capitalizam o temor dos residentes para instilar o conflito.

Funcionários do centro disse que os menores acompanhados que vivem lá -- a maior parte deles com idades entre 16 e 17 anos, do Egito e Bangladesh -- estão sendo transferidos para outro centro em Roma para sua própria segurança, depois que outro confronto na quinta-feira.

"Estamos com medo", disse Francesca Amato", que trabalha no local. "Estamos tentando entrar em acordo com os moradores." / AP

 

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