Polícia de Sudão usa gás lacrimogêneo contra manifestantes em Darfur

A polícia sudanesa usou gás lacrimogêneo e cassetetes nesta quarta-feira para impedir protestos na maior cidade de Darfur, Nyala, contra o governo e seu programa de austeridade, um dia depois de oito manifestantes serem mortos na pior onda de violência desde junho, disseram testemunhas.

Reuters

01 de agosto de 2012 | 14h01

O Sudão tem evitado revoltas da "Primavera Árabe" como as do Egito e da Síria, mas duras medidas de austeridade, incluindo cortes nos subsídios aos combustíveis, têm provocado pequenos protestos contra o governo de 23 anos do presidente Omar Hassan al-Bashir.

Cerca de 400 pessoas reuniram-se no mercado principal e duas outras áreas da cidade ocidental de Nyala para protestar contra o governo e a inflação crescente, mas foram dispersadas pela polícia de choque, disse um jornalista e testemunha.

"Hoje há um forte esquema de segurança presente por toda a cidade", contou um morador, acrescentando que as autoridades haviam fechado todas as escolas.

Mais de 1.000 manifestantes entraram em confronto com a polícia em Nyala na terça-feira, segundo testemunhas. Ativistas publicaram uma lista de 12 pessoas que, segundo eles, foram mortas nos confrontos de terça-feira, contrariando o número oficial de oito mortes.

A dissidência tem aumentado contra um governo que tem lidado com uma grave crise econômica desde que o país perdeu boa parte de sua produção de petróleo quando o Sudão do Sul se separou no ano passado. A queda acentuada das receitas deixou o Sudão com um grande déficit orçamentário e o preços elevados dos bens alimentares e outros, muitos dos quais são importados.

Os protestos diminuíram nas últimas semanas na capital Cartum, a cerca de 900 quilômetros de Nyala, depois de uma operação de segurança e do início do mês muçulmano de jejum do Ramadã, quando a maioria das pessoas fica em casa até anoitecer.

O governo local tem acusado grupos rebeldes de Darfur de agitar os protestos de terça-feira. Darfur é palco de uma insurgência de quase dez anos de idade por tribos não-árabes contra o governo de Cartum, que eles acusam de negligência.

O nível de violência em Darfur diminuiu, mas a lei e a ordem entraram em colapso em muitas partes do vasto território e confrontos entre rebeldes e forças do governo persistem.

Nesta quarta-feira, homens armados desconhecidos mataram o oficial local Abdelrahman Mohamed Eissa e seu motorista em um carro em Kutum, disse a agência de notícias estatal Suna.

Eventos em Darfur são difíceis de verificar porque o governo restringe severamente as viagens de jornalistas estrangeiros e diplomatas.

(Reportagem de Khalid Abdelaziz e Ulf Laessing)

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