Polícia desmantela primeira rede de prostituição masculina

Em uma operação em setembro, batizada de Amazônia, a polícia espanhola desmantelou a primeira quadrilha acusada de explorar a prostituição masculina de heterossexuais na EspanhaA rede atuava, segundo a polícia, na província de Badajoz, perto da fronteira com Portugal. Dos cinco presos, quatro eram brasileiros. Dois deles, jovens de 27 e 24 anos, disseram ter sido obrigados a se prostituir.Uma das vítimas contou ter sofrido ameaças e ter sido coagido a pagar uma dívida de oito mil euros (cerca de R$ 24 mil) referente ao custo de passagem, hospedagem e diárias na Espanha. O problema começa a despertar a atenção de autoridades, que vêm a prostituição masculina como um problema crescente. Recuperação Na cidade de Guipúzcoa, no País Basco, o governo local criou um programa social de ajuda a vítimas da prostituição masculina, que considera "um grupo que vai crescer".A diretora do programa, Amaya Lashera, diz que os brasileiros que se prostituem na Espanha já começam a ser um"problema", mas que "só há atenção para mulheres".O projeto atende a quase 100 homens entre 23 e 25 anos. Cerca de 90% são estrangeiros - mais da metade, brasileiros. "São heterossexuais, mas, se escolhessem só atender a mulheres, não ganhariam o suficiente. A clientela feminina é minoritária", afirma Lashera."Por isso, eles atendem a casais, jovens, mais velhos, bissexuais e muita clientela homossexual." Segundo a polícia espanhola, as redes de tráfico de seres humanos envolvendo prostituição masculina ainda são escassas em comparação às que atuam com mulheres. Mas a tendência é de aumento. "É uma questão de demanda e de organização das quadrilhas. Aqui, não falta trabalho para eles", disse a diretora do projeto basco.

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