Polícia desmonta acampamento de manifestantes na Ucrânia

Milhares de policiais da tropa de choque destruíram hoje um acampamento levantado por manifestantes em uma área próxima ao palácio presidencial em Kiev, depois que milhares de pessoas marcharam pelas ruas da capital ucraniana exigindo a renúncia do presidente Leonid Kuchma.Ontem, depois de realizarem a maior manifestação na Ucrânia após sua independência da União Soviética, há 11 anos, participantes de grupos de oposição - dos comunistas aos democratas - levantaram mais de 167 tendas e prometeram ocupar a área em torno do palácio de Kuchma.A líder da oposição e ex-vice-primeira-ministra Julia Tymoshenko disse hoje que alguns dos "cerca de 5 mil policiais" que participaram da ação chegaram a espancar vários dos 1.500 manifestantes que estavam acampados. De acordo com ela, os agentes, que agiram durante a madrugada, estavam preparados para lançar bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão mas alguns manifestantes conseguiram apreender os dispositivos antes que estes fossem utilizados."Eles (os policiais) começaram a espancar as pessoas por todos os lados, pessoas pacíficas que estavam cansadas e com sono", disse Tymoshenko. Segundo ela, outros líderes da oposição, cerca de 141 jovens, foram detidos pela polícia durante a operação de desmontagem das tendas, mas apenas sete deles haviam sido libertados até aquele momento. De acordo com a polícia, apenas 64 pessoas foram detidas.Segundo Tymoshenko, armas encontradas dentro das tendas teriam sido plantadas pela polícia, sublinhando que os manifestantes eram pacíficos. A polícia, por sua vez, alega ter apreendido uma granada e duas escopetas com os manifestantes.No final da tarde de hoje, cerca de 1,5 mil pessoas se encontravam na Praça da Independência, no centro de Kiev, para pedir a renúncia do presidente. "Queremos fazer da Ucrânia um verdadeiro Estado democrático", afirmou o líder comunista Oleksandr Moroz.A manifestação de ontem foi organizada para marcar o segundo aniversário do desaparecimento do jornalista investigativo Heorhiy Gongadze. A descoberta de um corpo decapitado, supostamente pertencente ao jornalista, em outubro de 2000, desencadeou meses de protestos contra Kuchma. Grupos de oposição acusam o presidente de envolvimento na morte do jornalista, uma acusação negada pelo presidente ucraniano.

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