POLÍCIA DA ITÁLIA/AFP
POLÍCIA DA ITÁLIA/AFP

Polícia desmonta célula da Al-Qaeda na Itália e prende 9 suspeitos

Segundo investigadores, rede estaria envolvida em ataques no Paquistão e teria planejado, em 2010, atentado contra o Vaticano

O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2015 | 09h25

ROMA - A polícia da Itália prendeu nesta sexta-feira, 24, nove suspeitos de integrarem uma célula da Al-Qaeda no país, incluindo dois supostos guarda-costas de Osama bin Laden, como parte de uma operação antiterrorismo. Ao todo, 18 mandados de prisão foram expedidos e a polícia ainda está à procura de outros suspeitos.

Segundo os investigadores, a rede italiana estaria envolvida na realização de alguns atentados terroristas. Um deles teria ocorrido em Peshawar, no Paquistão, em 2009, matando mais de 100 pessoas.

Em uma conferência de imprensa em Cagliari, na Sardenha, Mauro Mura, procurador da Itália, disse que escutas telefônicas indicaram que suspeitos tinham planejado um ataque contra o Vaticano em 2010, mas que o plano de ataque não seguiu adiante porque o homem-bomba deixou a Itália. De acordo com Mura, as escutas telefônicas deram "sinais de outros planos para possíveis ataques".

Os suspeitos presos estavam em contato direto com líderes da Al-Qaeda e do movimento Taleban no Paquistão, além de membros localizados em sete províncias italianas, disseram os investigadores.

O grupo possuía "uma abundante quantidade de armas e um grande número de fiéis dispostos a realizar atos de terrorismo no Paquistão e Afeganistão antes de retornarem à Itália", informou a polícia em uma série de comunicados.

"Acreditamos que este grupo estava envolvido na organização de muitos ataques sangrentos no Paquistão, incluindo a explosão de 2009, em um mercado em Peshawar", disse Mario Carta, um oficial da polícia em Sassari, região da Sardenha.

Sem citar nomes, a polícia italiana afirma que um membro do movimento islamita Tablighi Jamaat era responsável por arrecadar fundos entre comunidades paquistanesas e afegãs no norte da Itália, recursos que depois eram enviados aos países para atenuar os atentados.

Em uma ocasião, a célula italiana da Al Qaeda fez chegar 55.268 euros a Islamabad, capital do Paquistão, através de um emissário de um voo comercial que saiu de Roma. O método mais comum utilizado por eles, porém, era o "hawala", que funciona utilizando uma rede de colaboradores e parentes.

De acordo com o inquérito policial, que durou mais de seis anos, a rede financiava algumas de suas atividades através da imigração ilegal. "Eles fornecem contatos de empregos falsos e apoio logístico aos imigrantes que chegam na Itália e depois envolvem eles em suas atividades ilegais", acrescentou Carta. / AP, REUTERS e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
ItáliaterrorismoVaticano

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.