Polícia detém ativistas antes de enterro de cubano

Familiares e opositores do governo cubano enterraram hoje o dissidente Orlando Zapata Tamayo em meio a um forte esquema policial e palavras de ordem contra o presidente do país, Raúl Castro. A ONG Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDDHHyRN, pela sigla em espanhol) afirmou que cerca de 100 pessoas foram detidas em delegacias ou retidas em suas casas temporariamente entre terça e quarta-feira, sobretudo na parte oriental da ilha, para que não realizassem protestos pela morte do dissidente. Todas as pessoas já foram colocadas em liberdade.

AE-AP, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 17h39

De acordo com a ONG, Zapata, de 42 anos, foi enterrado na presença da família e de uns poucos dissidentes que conseguiram chegar à localidade de Banes, cerca de 900 quilômetros ao sudeste da capital Havana. "Havia muita irritação" por causa da grande quantidade de policiais, disse o líder da ONG, Elizardo Sánchez, que participou da cerimônia e disse que dezenas de policiais uniformizados e à paisana haviam chegado ao pequeno povoado de Banes, onde vive a mãe do dissidente, Reina Tamayo.

Apesar do cerco que impediu a chegada de algumas pessoas ao funeral, "algumas Damas de Branco (esposas de opositores presos) conseguiram comparecer, e ativistas gritaram palavras de ordem contra o governo em homenagem a Zapata Tamayo".

Sánchez disse que durante a cerimônia "não houve repressão, no sentido de que não foram feitas prisões, mas houve vigilância". Sánchez indicou que o aparato de segurança do Estado atrasou a chegada do corpo a Banes para diminuir o tempo do velório e pressionou a família a realizar um enterro rápido.

Zapata morreu na tarde de terça-feira na capital cubana, logo depois de ter sido transferido, em estado grave, da prisão na qual havia iniciado uma greve de fome no começo de dezembro.

O que aconteceu a Zapata Tamayo "é muito grave, horrendo, agora falta uma investigação judicial", disse Sánchez. Ele acrescentou que a reação do presidente lamentando a morte é "hipócrita".

A dissidente Martha Beatriz Roque disse hoje que, após voltar do funeral, que a morte do dissidente é uma "ameaça" para a atuação da dissidência no futuro, embora tenha afirmado que não havia um plano de ação.

Na véspera, o presidente Raúl Castro lamentou a morte do dissidente, em uma declaração pouco comum. "Ele foi levado aos melhores hospitais de Cuba e morreu. Lamentamos muito. Lamentavelmente, neste confronto que temos com os Estados Unidos, perdemos milhares de cubanos, sobretudo na primeira década, vítimas do terrorismo", disse Castro a jornalistas brasileiros.

Vários países expressaram sua "preocupação" com a morte dissidente, como Estados Unidos e Espanha, e pediram a libertação dos cerca de 200 presos políticos da ilha.

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