Polícia deve ser processada pelo caso Jean Charles

O procurador-geral do Reino Unidorejeitou nesta quinta-feira o pedido feito pela polícia britânica de não serprocessada pela morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto a tiros ano passado ao ser confundido com um terrorista. O escritório do procurador-geral, Lorde Peter Goldsmith, escreveuà Autoridade da Polícia Metropolitana que apresentara o pedidopara comunicar-lhe que o processo será mantido. Em julho deste ano, a Procuradoria anunciou que não acusarianenhum agente pela morte de Jean Charles, mas processaria acorporação como um todo por violação da lei de Segurança e Higieneno trabalho. Jean Charles morreu em 22 de julho de 2005 na estação de metrô deStockwell ao receber sete tiros na cabeça e um no ombro de policiaisvestidos à paisana que, ao que tudo indica, lhe confundiram com umdos supostos autores dos atentados fracassados da véspera. Após a procuradoria anunciar sua decisão de processar a polícia,em 4 de agosto a MPA escreveu a Lorde Goldsmith para pedir-lhe quereconsiderasse sua posição e avaliasse se existia "uma alternativamelhor e menos antagonista" para "aprender lições" com o ocorrido. Em sua carta, a organização policial também assinalava que oprocesso judicial atrasaria a divulgação pública do relatório daComissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, em inglês),que averiguou o fato e apresentou suas conclusões à procuradoria. "Não temos certeza que o processo previsto seja a melhor maneirade dar uma explicação ampla e transparente do ocorrido em julho doano passado", questionou na carta o vice-presidente da MPA, ReshardAuladin. Em sua resposta, a procuradoria justificou sua decisão deproceder com o caso porque "há provas suficientes" e é "necessáriopara o interesse geral". Representantes da Scotland Yard, como também é conhecida aPolícia Metropolitana de Londres, implicada na morte do jovem de 27anos, sentaram-se pela primeira vez no banco do tribunal em 14 deAgosto. A decisão da procuradoria de apresentar acusações ao amparo dalei de Segurança e Higiene surpreendeu tanto a Polícia - que, comsua carta, tentou deter o processo - como à família de Jean Charles,que esperava que se acusasse de homicídio os agentes envolvidos.

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