Polícia dispersa protestos no Quênia e três morrem

A polícia queniana enfrentou naquarta-feira centenas de manifestantes que, em vários lugaresdo Quênia, desafiaram a proibição dos protestos contra ogoverno. Três pessoas morreram, segundo testemunhas. Houve confrontos em Kisumu, Eldoret (ambas no oeste),Mombaça (leste) e Nairóbi (capital). Alguns jovenssimpatizantes da oposição queimaram pneus e montaram barricadasnas ruas. Em Kisumu, reduto da oposição, a polícia fez disparos parao alto e usou gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersarcerca de mil manifestantes. Testemunhas disseram que trêshomens foram mortos a tiros. Um cinegrafista da Reuters viu umcorpo na rua, com ferimentos de bala nas costas e no lado. Num hospital, um médico disse, sob anonimato, que maisferidos baleados estavam chegando. A TV local KTN mostrou um policial alvejando e depoischutando um manifestante aparentemente desarmado. Segundo aemissora, o jovem veio a morrer. Os protestos contra a suposta fraude na reeleição dopresidente Mwai Kibaki já mataram mais de 600 pessoas edeixaram 250 mil refugiados no Quênia desde 27 de dezembro. Em Nairóbi, a polícia perseguiu manifestantes pelo centrofinanceiro da cidade. Alguns escritórios ficaram cheios de gáslacrimogêneo vindo da rua. Na favela de Kibera, três rapazes foram baleados nas pernasquando fugiam, segundo uma fonte hospitalar. "Estava tudo cheio, um lugar muito estreito, eu estavatentando escapar e levei um tiro na perna", disse o estudanteOscar Junior, 18 anos, em seu leito hospitalar. Nas vielas de Kibera, mulheres e crianças tossiam e seafogavam por causa do gás lacrimogêneo. Líderes da oposição tentaram reunir alguns manifestantes noparque Uhuru ("Liberdade"), no centro de Nairóbi, mas tambémforam recebidos com bombas de gás. "Estamos determinados a continuar esta luta", disse odirigente oposicionista William Ruto a jornalistas. "Não vamospermitir que Kibaki faça deste país uma ditadura." A polícia também dispersou centenas de manifestantes emEldoret, no vale do Rift, a região mais afetada pelos conflitosétnico-partidários das últimas semanas. Em Mombaça, no litoral,as autoridades também impediram manifestações menores. O governo proibiu os três dias de manifestações que haviamsido convocados pelo ODM, principal partido de oposição, paraesta semana. Em partes de Nairóbi, o comércio parou e muitagente ficou em casa, o que deixou o tráfego tranquilo.

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