REUTERS/Toby Melville
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Britânico muçulmano praticou ataque em Londres reivindicado pelo EI

Não há evidências de que grupo tenha planejado ou financiado ação que matou 4 e feriu 40; polícia prende oito na região em que vivia Khalid Masood, de 52 anos, com ficha criminal desde 2003

Andrei Netto, Enviado Especial / Londres, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2017 | 12h40

Um britânico de 52 anos, muçulmano e descendente de imigrantes, Khalid Masood, foi o autor do atentado que matou quatro e deixou dezenas de feridos no distrito de Westminster, no centro de Londres, na quarta-feira. A informação foi revelada nesta quinta-feira pela Scotland Yard, horas após o Estado Islâmico assumir a autoria do ataque. Não há indícios de que o grupo radical tenha planejado ou financiado a ação. 

A identidade do agressor, abatido a tiros pela polícia, foi revelada após 24 horas de investigações. Nascido em Kent, no sul do país, ele vivia em West Midlands, cuja principal cidade é Birmingham, no centro da Inglaterra.

O agressor nunca havia sido condenado por delitos ou crimes ligados a terrorismo, mas já tinha passado por investigação do serviço secreto interno, o MI5, por radicalização. Masood também era conhecido da polícia e da Justiça britânicas. Sua primeira condenação ocorreu em 1983 e a última, em 2003. No intervalo, cometeu crimes menores, como posse de arma, agressões com ferimentos graves e atentado à ordem pública. Segundo informou a Scotland Yard, nenhuma investigação estava em curso a seu respeito e não havia indícios de sua participação em planos terroristas. 

 

A informação de que um autor anônimo teria postado, no dia anterior ao ataque, as coordenadas geográficas de Westminster em um fórum de internet é uma das que vêm sendo investigadas para tentar descobrir se Masood de fato agiu sozinho, tomando a iniciativa de alugar o automóvel SUV, modelo Hyundai i40, usado nos atropelamentos e tentar invadir o Parlamento, ou se fazia parte de uma célula terrorista. 

Essa hipótese foi reforçada no final da manhã desta quinta-feira pela reivindicação da autoria feita pelo Estado Islâmico em sua agência de propaganda, Amaq: “O autor do ataque de ontem em frente ao Parlamento britânico em Londres é um soldado do Estado Islâmico.”

O balanço de vítimas voltou a ser revisado nesta quinta-feira. Pela manhã, a polícia chegou a publicar um comunicado informando ter se equivocado quanto ao número de mortos, que seriam três, além de Masood, e não quatro, como havia anunciado horas antes. Mais tarde, uma quarta vítima, um homem de 75 anos, morreu no hospital. Outras 29 pessoas ainda estão hospitalizadas. 

As três primeiras vítimas confirmadas foram Keith Palmer, de 48 anos, policial esfaqueado pelo agressor; Aysha Frade, de 43 anos, professora britânica de origem espanhola; e Kurt Cochran, de 54 anos, turista americano que comemorava na Europa os 25 anos de casado. 

Reação. Ao longo da madrugada, houve operações da polícia em Londres, Birmingham e outras cidades, em seis endereços. Oito pessoas foram detidas. As detenções ocorreram horas antes da retomada das atividades na Câmara dos Comuns, que ouviu o pronunciamento da primeira-ministra Theresa May. “Nós não temos medo e nossa determinação não se enfraquecerá face ao terrorismo”, prometeu a premiê. 

Esse recado ecoou pelas ruas de Londres. No início da manhã, a cidade acordou sob alta vigilância, com muitas áreas isoladas pela polícia e pouco movimento, em especial na região do atentado. Em torno do Parlamento, centenas de policiais fecharam a Ponte de Westminster, epicentro do ataque, vias adjacentes e acessos ao Parlamento. Helicópteros circularam de forma ininterrupta e o tráfego fluvial no Rio Tâmisa foi proibido por razões de segurança. 

Estações de metrô permaneceram fechadas durante boa parte do dia. Em outras, citações de autores célebres foram escritas pela população em painéis. Em Richmond, uma frase do jornalista Daryn Kagan dizia: “Coisas ruins acontecem no mundo. Mas nessas situações, emergem sempre histórias de pessoas ordinárias que fazem coisas extraordinárias”. 

Por volta do meio-dia, o movimento de automóveis, do comércio e de pessoas se intensificou. Nas ruas, o discurso mais comum foi sobre a necessidade de união, a rejeição da intolerância religiosa e sobre a necessidade de seguir em frente. “Como londrinos, estamos abalados, mas solidários às vítimas”, disse Sam Fab, de 33 anos, funcionário do metrô de Londres que vive a 25 minutos a pé de Westminster. “Poderia ter acontecido com qualquer um de nós. Poderia ser eu, poderia ser você.”

 

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