AP Photo/Eric Gay
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Polícia diz que atirador de Dallas 'queria matar pessoas brancas'

Segundo chefe da polícia, David Brown, homem cuja identidade não foi revelada estava 'chateado' com os recentes casos de negros mortos por policiais; três suspeitos foram detidos pelas autoridades

O Estado de S. Paulo

08 Julho 2016 | 10h54

DALLAS, EUA - Pelo menos um franco-atirador em Dallas, no Texas, matou cinco policiais e feriu outros sete em uma sequência de ataques coordenados que terminaram com a polícia usando uma bomba remota para matar o atirador depois de ele afirmar que desejava matar policiais brancos, explicaram as autoridades nesta sexta-feira, 8.

O ataque aconteceu na noite de quinta-feira, 7, durante um dos vários protestos em todo os Estados Unidos depois de dois homens negros serem mortos por policiais brancos nesta semana, nos casos mais recentes de uma grande quantidade de casos que deram origem ao movimento "A vida dos negros importam" (Black Lives Matter, em inglês).

De acordo com a polícia, a emboscada de quinta-feira foi cuidadosamente planejada e executada. As autoridades prenderam três pessoas antes de matarem o quarto suspeitos depois de uma longa negociação em um edifício garagem no centro de Dallas.

"Trocamos tiros com o suspeito. Não tivemos outra opção que não fosse usar nossa bomba remota", disse o chefe da polícia da cidade, David Brown, em entrevista nesta sexta. "O suspeito disse que estava chateado com o movimento "A vida dos negros importam", completou Brown, que também é negro.

"Ele disse que estava chateado com os recentes casos de policiais que mataram negros. O suspeito afirmou que estava chateado com as pessoas brancas. O suspeito afirmou que queria matar pessoas brancas, especialmente policiais brancos."

Além de ameaçar cidadãos e policiais brancos, o suspeito morto pela polícia também afirmou que "o fim estava próximo" e que mais policiais seriam feridos e mortos. "Ele também afirmou que bombas foram espalhadas em vários lugares do edifício garagem e do centro de Dallas", adicionou Brown.

Até o momento, as autoridades não veem ligação com grupos internacionais no caso. "Não descartamos nenhuma hipótese até o momento para determinar o motivo e a forma como (este ataque) aconteceu", finalizou o chefe da polícia de Dallas.

Segundo as autoridades americanas, o ataque no Texas é o dia mais mortífero para a polícia americana desde o 11 de Setembro. Ao todo, 12 policiais - incluindo 3 mulheres - e 2 civis foram feridos a tiros, informou o prefeito de Dallas, Mike Rawlings.

Em entrevista à emissora CBS, Rawlings afirmou que as três pessoas detidas pela polícia - incluindo uma mulher - "não estavam cooperando" com os investigadores. Quanto ao suspeito morto, as autoridades já recolheram suas digitais e estão verificando sua identidade com autoridades federais. O atirador foi identificado, no entanto, pela imprensa americana como Micah X. Johnson, de 25 anos. Segundo as emissoras CBS News e NBC, Johnson vivia na cidade de Mesquite, a cerca de 20 quilômetros de Dallas.

O prefeito também afirmou que a polícia ainda não tem certeza se todos os envolvidos no ataque estão sob sua custódia. Por este motivo, Rawlings aconselhou que as pessoas evitem a região central da cidade nesta sexta. / REUTERS

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