Khaled Abdullah/Reuters
Khaled Abdullah/Reuters

Polícia do Iêmen impede marcha em direção a palácio presidencial

Quatro pessoas ficaram feridas nos confrontos na capital, onde policiais atingiram com cassetetes os manifestantes, que revidaram com pedras, segundo as testemunhas

MOHAMMED GHOBARI E MOHAMED SUDAM, REUTERS

13 de fevereiro de 2011 | 14h12

Manifestantes contrários ao governo entraram em confronto neste domingo, 13, com a polícia, que tentou impedi-los de marchar em direção ao palácio presidencial em Sanaa, disseram testemunhas.

Os confrontos aconteceram enquanto o presidente Ali Abdullah Saleh e o principal grupo de oposição se preparavam para as negociações, as quais o governo espera que ajudem a evitar uma manifestação ao estilo egípcio no Estado da Península Arábica, um vital aliado dos Estados Unidos.

"O povo iemenita quer a queda do regime", gritavam os manifestantes durante a concentração de aproximadamente mil pessoas, antes de que dezenas se separassem para ir ao palácio.

"Uma revolução iemenita após a revolução egípcia", disseram.

Os protestos esporádicos ganharam força no Iêmen. Mais cedo neste mês, dezenas de milhares de pessoas participaram do denominado "Dia da Ira", organizado pela oposição para pedir uma mudança de governo e inspirado nos protestos populares da Tunísia e do Egito.

Os manifestantes favoráveis e contrários ao governo se enfrentaram nos últimos dias.

Segundo os opositores, 10 manifestantes foram detidos em Sanaa e 120 foram presos durante a noite em Taiz, onde as autoridades impediram uma manifestação no sábado, 12.

Quatro pessoas ficaram feridas nos confrontos na capital, onde policiais atingiram com cassetetes os manifestantes, que revidaram com pedras, segundo as testemunhas.

Saleh, no poder há mais de três décadas e preocupado com a instabilidade em algumas regiões do mundo árabe, disse que deixará o cargo em 2013 e prometeu que seu filho não assumirá as rédeas do governo.

"A oposição não rejeita o convite do presidente e está disposta a assinar um acordo em não mais do que uma semana", afirmou o ex-ministro das Relações Exteriores, Mohammed Basindwa, acrescentando que nas conversações participariam observadores do Ocidente e do Golfo Pérsico.

A instabilidade no Iêmen poderia provocar graves riscos políticos e de segurança para os países do Golfo. Os Estados Unidos dependem em grande parte de Saleh para combater o braço da Al Qaeda no Iêmen.

A agência estatal de notícias Saba informou que no sul do país, onde o governo enfrenta a Al Qaeda e militantes separatistas, um tribunal condenou seis homens à morte por sequestros e ataques armados contra a polícia.

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