Polícia do Missouri prende mais 47 em protestos em Ferguson

Ao menos três armas foram apreendidas com manifestantes, que teriam lançado lançaram garrafas com água e urina contra os oficiais

Claudia Trevisan, Enviada especial

20 de agosto de 2014 | 08h38

FERGUSON, EUA - Quarenta e sete pessoas foram presas na noite de terça-feira em Ferguson, Missouri, em confrontos isolados com forças de segurança durante protestos contra a morte de um jovem negro pela polícia no dia 9 de agosto. Apesar dos incidentes, a noite foi mais calma que a anterior, sem bombas de gás lacrimogêneo ou de efeito moral.

O secretário de Justiça, Eric Holder, chega a Ferguson na manhã desta quarta-feira, para se reunir com autoridades locais e agentes do FBI que investigam se houve violação dos direitos civis de Michael Brown, o negro de 18 anos morto a tiros pelo policial branco Darren Wilson.

Também nesta quarta-feira, um grande júri composto por 12 pessoas começa a analisar provas e ouvir testemunhas para decidir se existem elementos suficientes para o início de um processo criminal contra o policial. Wilson sustenta que agiu em legítima defesa e que Brown corria em sua direção quando os tiros que o mataram foram disparados. 

A versão é confirmada por algumas testemunhas e contestada por outras, segundo as quais o jovem tentava se render com as mãos para o alto quando foi atingido. O principal slogan dos manifestantes que marcham pelas ruas de Ferguson há 10 dias é "hands up, don't shoot" (mãos ao alto, não atire).

O caso será apresentado aos jurados pelo procurador do condado de Saint Louis (onde fica Ferguson), Robert P. McCulloch. Segundo ele, nem todas as evidências estão prontas e uma decisão só deve ser tomada em meados de outubro. São necessários os votos de 9 dos 12 jurados para a abertura do processo criminal.

A senadora de Missouri Jamilah Nasheed liderou um movimento pelo afastamento de McCulloch, sob o argumento de que ele teria uma posição favorável ao policial que atirou em Brown. O procurador rechaçou a acusação e manifestou sua intenção de permanecer no caso. Ele poderia ser afastado pelo governador Jay Nixon, em razão do estado de emergência que vigora na cidade, mas essa possibilidade parece descartada. "Eu quero fazer meu trabalho", disse McCulloch em entrevista a uma rádio local. "A família de Brown merece isso. A comunidade merecesse isso."

Filiado ao Partido Democrata, McCulloch é procurador há 24 anos -nos Estados Unidos, os ocupantes do cargo são eleitos e não selecionados em concurso. Antes de receber o voto da comunidade, eles têm de vencer as primárias de seus partidos para obter a candidatura. 

Os que pedem a substituição de McCulloch argumentam que ele têm profundos laços com forças policiais -sua mãe, pai, irmão, tio e primo trabalham ou trabalhavam no Departamento de Polícia de Saint Louis e seu pai foi morto por um suspeito negro quando respondeu a uma chamada de emergência.

As pessoas que marcham há 11 dias pelas ruas de Ferguson exigem que Darren seja preso e condenado sob acusação de homicídio e afirmam que manterão as manifestações até que isso ocorra. 

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