Polícia do Quênia combate manifestantes em novos protestos

Três pessoas são mortas na recente onda de protestos convocada pelo líder opositor Raila Odinga

Agências internacionais, REUTERS

17 de janeiro de 2008 | 07h26

A polícia e a oposição no Quênia voltaram a travar confrontos nesta quinta-feira, 17, no segundo dia de protestos contra a contestada reeleição do presidente Mwai Kibaki. Três pessoas já foram mortas desde que protestos foram retomados e segundo a agência France Presse, mais dois manifestantes foram mortos nesta quinta, elevando para cinco o número de vítimas.   Veja também:  Entenda a crise pós-eleitoral do Quênia     Segundo testemunhas, a polícia disparou gás lacrimogêneo contra centenas de simpatizantes do líder oposicionista Raila Odinga e de sua coalizão, o Movimento Democrático Laranja. Uma rua próxima à favela Mathare, em Nairóbi, foi fechada.   O fotógrafo da Reuters Antony Njuguna contou que cerca de 40 policiais enfrentam centenas de manifestantes perto de Mathare, um dos palcos de quase três semanas da violência que tomou o país. Na área de Kisumu, de forte presença da oposição, a polícia antichoque disparou para o ar e atingiu pelo menos um homem.   "Meu pai foi baleado em frente à nossa casa. A polícia está atirando indiscriminadamente, atingindo qualquer um. Meu pai foi baleado na barriga", disse Alphonse Otieno, por telefone, da favela Kondele, em Kisumu.   A polícia proibiu os protestos convocados por Odinga, que diz que Kibaki roubou a eleição de 27 de dezembro. Por seu lado, o governo acusa a oposição de fraudar votos e de protestar, em vez de usar opções jurídicas para contestar o resultado.   Desde o anúncio do resultado das eleições, há três semanas, mais de 600 pessoas já morreram e mais de 250 mil ficaram desabrigadas como conseqüência dos protestos contra a eleição de Kibaki.   Esta semana, os Estados Unidos, o Reino Unido e outros 11 países aumentaram a pressão sobre os políticos rivais exigindo que encontrem uma solução, ameaçando cortar ajuda ao governo do presidente Kibaki se "seu comprometimento com a boa governança, democracia e império da lei e direitos humanos enfraquecer". O porta-voz governamental Alfred Mutua reagiu: "O governo do Quênia não será chantageado (...) Somos capazes de nos manter".   Na noite de quarta, a ONU lançou um apelo por cerca de US$ 42 milhões de ajuda para meio milhão de quenianos afetados pela violência. Segundo o chefe humanitário da ONU John Holmes, a verba é necessária para se providenciar alimentos, abrigos, atendimento médico e outros serviços pelos próximos seis meses.

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